Eu vi o Amor — mas nos seus olhos baços
Nada sorria já: só fixo e lento
Morava agora ali um pensamento
De dor sem trégua e de íntimos cansaços.
Pairava, como espectro, nos espaços,
Todo envolto n’um nimbo pardacento…
Na atitude convulsa do tormento,
Torcia e retorcia os magros braços…
E arrancava das asas destroçadas
A uma e uma as penas maculadas,
Soltando a espaços um soluço fundo,
Soluço de ódio e raiva impenitentes…
E do fantasma as lágrimas ardentes
Caíam lentamente sobre o mundo!
Antero de Quental













“Pode pois dizer-se que, neste período de crise em que toda a gente teme o futuro, é sensato estar de bem com o Governo. Sócrates surge assim, hoje, como um pequeno monarca.”
José António Saraiva, “Sol”, 01-11-2008
Por: raiva em Novembro 2, 2008
às 6:25 pm