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O SEGREDO ÒBVIO DOS RANKINGS:Ranking 2010. Seleccionar alunos é o segredo para um lugar de topo…

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Ranking 2010. Seleccionar alunos é o segredo para um lugar de topo

por Kátia Catulo , Publicado em 16 de Outubro de 2010 in Jornal I
A justificação é da ministra Isabel Alçada e é também válida entre quem ensina nas escolas públicas

 

É na Matemática que o ensino público tem oportunidade de mostrar a sua superioridade. Nove escolas públicas e apenas uma privada ocupam a lista das melhores médias nos exames de Matemática do 12.o ano. O primeiro lugar pertence à Escola Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra, e a média das 116 provas nacionais foi de 15,87 valores.
De resto, as classificações das escolas nas provas nacionais demonstram que a distância entre público e privado continua a crescer. Só uma escola pública surge bem cotada no ranking dos resultados dos exames para o ensino básico e secundário. Nos dois casos, a lista do Ministério da Educação mostra que os lugares de topo pertencem aos colégios ou externatos. É o domínio do ensino privado que, no entanto, não surpreende a ministra da Educação para quem a liderança das escolas privadas se deve ao facto de poderem escolher os seus alunos. “A escola pública acolhe todas as crianças, é aberta a todos. Os resultados [do ranking] decorrem desse facto”, justificou ontem Isabel Alçada à saída da Conferência Internacional do Plano Nacional de Leitura, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa.
Nesse caso, o que é que a Escola Secundária Infanta D. Maria tem de diferente para este ano se tornar numa excepção? De acordo com o ranking do i (escolas com mais de 100 provas nacionais realizadas em 2009/10), o estabelecimento público de Coimbra ocupa o primeiro lugar, entre as 100 melhores secundárias e a 11.a posição na lista das 100 básicas com melhores resultados. A directora Maria Rosário Gama explica que usa os mesmos critérios que todas as escolas públicas para receber os 850 alunos que frequentam a secundária: “A selecção é feita de acordo com a legislação, logo podemos receber todo o tipo de alunos, o que transforma numa incógnita o resultado final dos exames.”
O prémio por ter conquistado um lugar de topo só revela que o trabalho feito por alunos e professores da Secundária Infanta D. Maria “é o adequado”, mas Rosário Gama admite que tem algumas vantagens em relação a outros estabelecimentos do ensino público que estão afastados das principais cidades: “A escola está inserida numa zona urbana de meio económico médio alto e os alunos têm apoios extracurriculares como é o caso de explicações, tal como acontece na maioria das escolas dos grandes centros, uma realidade que é bem diversa noutras zonas do país.”
E foi também a clivagem entre litoral e interior que este ranking pôs a descoberto. As diferenças entre as classificações obtidas em escolas dos distritos de Bragança, Guarda, Castelo Branco, Évora, Portalegre ou Beja chegam a registar notas negativas. Lisboa, Porto e Coimbra são os distritos com as melhores médias globais do país.
As notas mais altas estão mais uma vez nas privadas, mas a média geral dos exames deste ano não ultrapassa os 10,4 valores. E são as línguas estrangeiras que contribuem para equilibrar as contas. As provas de Espanhol e Inglês, tal como vem acontecendo em anos anteriores, são as disciplinas com as melhores notas, alcançando médias superiores a 14 valores.
Por outro lado, o número de escolas com média negativa no exame nacional de Português do 12.o ano subiu quase cinco vezes face a 2009. A percentagem de escolas com notas inferiores a 9,5 valores cresceu de 2,5 para 12%. Ainda assim, das 598 escolas onde se realizou esta prova, 88% tiveram uma média positiva. No ano lectivo anterior esta percentagem tinha sido de 97,5%, de acordo com a Lusa. As classificações dos alunos internos do 9.o ano nos exames de Português (língua materna) e Matemática permitem ainda concluir que as melhores médias entre as primeiras 20 classificadas pertencem ao ensino privado.
Olhando para o ensino secundário, é ainda possível perceber que 27% das escolas públicas e privadas tiveram médias abaixo dos 9,5 valores nas duas fases dos exames nacionais deste ano.
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