Publicado por: bulimundo | Abril 30, 2012

A tendência do homem de mente estável, quer seja introvertido ou extrovertido, visionário ou não visionário, será sempre para verificar que «aquilo que está, está certo». Menos sujeito aos hábitos de raciocínio formados na mocidade, os de mente instável naturalmente que sentem prazer em tudo o que é novo e revolucionário

O homem capaz de sacrificar de ânimo leve um hábito mental há muito tempo formado constitui uma excepção. A grande maioria dos seres humanos não gosta e, na realidade, até detesta todas as noções com as quais não estão familiarizados. Trotter, no seu admirável Instincts of the Herd in Peace and War, chamou-lhes de «mente estável» e colocou em oposição a eles uma minoria de «pessoas de mente instável», apaixonados pela inovação em si própria.

A tendência do homem de mente estável, quer seja introvertido ou extrovertido, visionário ou não visionário, será sempre para verificar que «aquilo que está, está certo». Menos sujeito aos hábitos de raciocínio formados na mocidade, os de mente instável naturalmente que sentem prazer em tudo o que é novo e revolucionário. É aos de mente instável que devemos o progresso em todas as suas formas, assim como todas as formas de revolução destrutiva. Os de mente estável, devido à sua relutância em aceitar modificações, dão à estrutura social a sua sólida durabilidade. Há no mundo muito mais gente de mente estável que instável (se as proporções fossem trocadas viveríamos num caos); mas em todos menos em alguns momentos muito excepcionais, eles possuem o poder e a riqueza mais do que proporcional ao seu número. Daí resulta que, ao aparecerem pela primeira vez, os inovadores foram geralmente perseguidos e sempre escarnecidos como lunáticos e loucos.

Porque o razoável é o familiar, é aquilo que os de mente estável estão no hábito de pensar no momento em que o herege profere a sua opinião singular. Usar a inteligência de qualquer outro modo que não seja o habitual não é usar a inteligência; é ser irracional, delirar como um louco.

Aldous Huxley, in “Sobre a Democracia e Outros Estudos”


Respostas

  1. …Redon representará com uma lucidez de visionário um mundo fantástico, dando aos fantasmas da sua imaginação a mesma atenção escrupulosa como se se tratasse de fenómenos reais aparecidos diante dele desenhando-os com o rigor com que fazia um rosto ou uma árvore. Foi isto que lhe permitiu dizer:” Não me podem tirar o mérito de dar a ilusão da vida às minhas criações mais irreais”. Estas criações eram muitas vezes monstros. Mas, para lá do horrível destes Ciclopes, destas quimeras, desta Aranha com sorriso humano, o que Redon procurava e o que nos impressiona nestas aparições insólitas é o universo tenebroso a que parecem pertencer e com o qual nos sentimos de repente em comunicação como se ele fosse a projecção, diante dos olhos, dos nossos próprios sonhos mais angustiados (…)

    Este universo silencioso que oscila entre a noite e o dia, entre a angústia e o êxtase, com o seu cortejo de seres monstruosos ou divinos, a sua fauna e a sua flora improváveis, os seus espectáculos onde o familiar se alia com o maravilhoso, este universo do absoluto e do indisível que não aparece senão fortuitamente nas nossas divagações e nos nossos sonhos, foi fixado em toda a sua verdade irracional por Odilon Redon, dando à arte uma nova expressão do pensamento poético.

    J. Selz

  2. http://www.casthalia.com.br/a_mansao/obras/redon_aranha.htm


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