Publicado por: bulimundo | Julho 4, 2012

A Vergonha e a Injustiça Não Existem na Natureza …será por isso que este governo é amante da natureza??..assim pode desculpabilizar-se melhor…Puritanos…

 A vergonha não existe na natureza. Os animais sabem a lei: a força, a força, a força. Quem é fraco cai e faz o que o forte quer. A inundação, as chuvas, o mamífero mais pesado e mais rápido e o mamífero pequeno. Os primatas, os répteis, os peixes maiores e os mais minúsculos, a cascata: já viste algum animal cair?, não há a mais breve compaixão entre os animais e a água, o mar engoliu milhares e milhares de cães desde o início do mundo. Não há a mais breve compaixão entre a água e as plantas, entre a terra que desaba e os pequenos animais acabados de nascer. A natureza avança com o que é forte e a cidade avança com o que é forte: qual a dúvida? Queres o quê?
Não há animais injustos, não sejas imbecil. Não há inundações injustas ou desabamentos da maldade. A injustiça não faz parte dos elementos da natureza, um cão sim, e uma árvore e a água enorme, mas a injustiça não. Se a injustiça se fizesse organismo: coisa que pode morrer, então, sim, faria parte da natureza.

Gonçalo M. Tavares,


Responses

  1. Vou transcrever e fazer link…

  2. Caiu rapidamente em direcção ao fundo. Alcançou-o?
    Constava que estava a três milhas de profundidade. Após se afundar vinte ou vinte e cinco metros, começou a cair cada vez com maior lentidão, oscilando ritmicamente, como se hesitasse, e foi transportado pela corrente, movendo-se de lado mais depressa do que para baixo.
    A seguir, um cardume de peixes chamados pilotos-do-porto veio ao seu encontro. Ao verem o vulto escuro, os peixes pararam como petrificados e, subitamente, viraram-se e desapareceram. Em menos de um minuto, voltaram lestos como uma flecha e ziguezaguearam na água em torno de Gusev.
    Depois, surgiu outra sombra. Era um tubarão. Passou por baixo de Gusev com dignidade e sem se mostrar interessado, como se não reparasse nele, e afundou-se de costas com a barriga para cima, a desfrutar a transparência quente da água. Os pilotos- do -porto estão deliciados e param para ver o que irá acontecer a seguir. Depois de brincar um pouco com o corpo, o tubarão mete negligentemente o focinho por baixo dele, toca-lhe prudentemente com os dentes e o pano de vela rasga-se ao comprido da cabeça aos pés; um dos pesos cai, assustando os pilotos-do-porto e acertando nas costelas do tubarão, e tomba velozmente para o fundo.
    Lá em cima, a esta hora, as nuvens estão amassadas no lado em que o Sol está a pôr-se; uma nuvem parece um arco triunfal, outra, um leão e, uma terceira, um par de tesouras… Por detrás das nuvens, um feixe verde de luz atravessa-as e estende-se até meio do céu; pouco mais tarde, aparece outro ao lado de cor violeta; a seguir, um dourado e, depois, um cor-de-rosa. O céu torna-se subitamente lilás. Ao ver este belo céu encantado, o mar fica ao princípio de mau humor, mas em breve adquire cores ternas, alegres e apaixonadas para as quais é difícil encontrar um nome em linguagem humana.

    Tchekov, Anton


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