Publicado por: bulimundo | Julho 8, 2012

É a Vaidade e não o Prazer que nos Interessa..talvez isto explique muito coisa que anda por aí a ser dita á flor da relva…

 

 

Qual a finalidade da avareza e da ambição, da busca de riqueza, poder e preeminência? Será para suprir as necessidades da natureza? O salário do mais pobre trabalhador pode supri-las. Vemos que esse salário lhe permite ter comida e roupas, o conforto de uma casa e de uma família. Se examinássemos a sua economia com rigor, constataríamos que ele gasta grande parte do que ganha com conveniências que podem ser consideradas supérfluas. […] Qual é, então, a causa da nossa aversão à sua situação, e por que os que foram educados nas camadas mais elevadas consideram pior que a morte serem reduzidos a viver, mesmo sem trabalhar, compartilhando com ele a mesma comida simples, a habitar o mesmo tecto modesto e a vestir-se com os mesmos trajes humildes? Por acaso imaginam que têm um estômago superior ou que dormem melhor num palácio do que numa cabana? [… ] De onde, portanto, nasce a emulação que permeia todas as diferentes classes de homens, e quais são as vantagens que pretendemos com esse grande propósito da vida humana a que chamamos melhorar nossa condição? Ser notado, ser ouvido, ser tratado com simpatia e afabilidade e ser visto com aprovação são todas as vantagens que se pode pretender obter com isso. É a vaidade, e não a tranquilidade ou o prazer, que nos interessa. Mas a vaidade sempre tem por base a convicção de sermos objecto de atenção e aprovação. O homem rico deleita-se com as suas riquezas por julgar que elas naturalmente lhe atraem a atenção do mundo e que os homens estão dispostos a acompanhá-lo em todas as agradáveis emoções que as vantagens da sua situação tão prontamente inspiram a ele. Quando tal pensamento lhe ocorre, o seu coração parece crescer e dilatar-se dentro do peito, e ele aprecia a sua riqueza mais por esse motivo do que por todas as outras vantagens que ela lhe traz.

Adam Smith, in ‘A Teoria dos Sentimentos Morais’


Responses

  1. À VAIDADE DO MUNDO

    É a vaidade, Fábio, desta vida
    Rosa que na manhã lisonjeada
    Púrpuras mil com ambição coroada
    Airosa rompe, arrasta presumida;

    É planta que de Abril favorecida
    Por mares de soberba desatada,
    Florida galera empavezada,
    Surca ufana, navega destemida;

    É nau, enfim, que em breve ligeireza,
    Com presunção de fénix generosa,
    Galhardias apresta, alentos preza.

    Mas ser planta, rosa e nau vistosa
    De que importa, se aguarda sem defesa
    Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?

    frei António das Chagas


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