Publicado por: bulimundo | Fevereiro 8, 2017

Tudo é Engano….ou quase…

josef-koudelka-02Tudo é engano: buscar o mínimo de ilusão, permanecer no nível usual, ou buscar o máximo. No primeiro caso, engana-se o bem, na medida em que se deseja tornar fácil demais a sua conquista; e o mal, na medida em que é colocado em condições de luta excessivamente desfavoráveis. No segundo caso, o bem é enganado na medida em que não se luta para alcançá-lo, nem mesmo naquilo que é terreno. No terceiro caso, engana-se o bem na medida em que a esperança é torná-lo impotente na sua máxima intensidade. Seria preferível, nisto tudo, o segundo caso, pois ainda assim engana-se o bem e não o mal; neste caso, pelo menos em aparência.

Franz Kafka, in ‘Os Aforismos de Zurau ou Reflexões no Pecado, Esperança, Sofrimento, e o Caminho da Verdade (55)’

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Publicado por: bulimundo | Fevereiro 3, 2017

The silence….IN OUR LIVES…

 

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 3, 2017

Disturbed – The Sound Of Silence..

 

 

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 3, 2017

A Festa do Silêncio..

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Escuto na palavra a festa do silêncio.
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se.
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas.
Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas.
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma.Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia,
o ar prolonga. A brancura é o caminho.
Surpresa e não surpresa: a simples respiração.
Relações, variações, nada mais. Nada se cria.
Vamos e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça.

Nada é inacessível no silêncio ou no poema.
É aqui a abóbada transparente, o vento principia.
No centro do dia há uma fonte de água clara.
Se digo árvore a árvore em mim respira.
Vivo na delícia nua da inocência aberta.

António Ramos Rosa, in “Volante Verde”

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 3, 2017

The silence and the art off silence in scorcese…

 

Publicado por: bulimundo | Janeiro 11, 2017

Não Penses….

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Não penses. Que raio de mania essa de estares sempre a querer pensar. Pensar é trocar uma flor por um silogismo, um vivo por um morto. Pensar é não ver. Olha apenas, vê. Está um dia enorme de sol. Talvez que de noite, acabou-se, como diz o filósofo da ave de Minerva. Mas não agora. Há alegria bastante para se não pensar, que é coisa sempre triste. Olha, escuta. Nas passagens de nível, havia um aviso de «pare, escute, olhe» com vistas ao atropelo dos comboios. É o aviso que devia haver nestes dias magníficos de sol. Olha a luz. Escuta a alegria dos pássaros. Não penses, que é sacrilégio.

Vergílio Ferreira, in “Conta-corrente – nova série – 2”

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Janeiro 11, 2017

A melhor música de Rui Veloso…

Publicado por: bulimundo | Janeiro 11, 2017

Memórias…

 

Publicado por: bulimundo | Janeiro 11, 2017

Outros tempos…hoje são outras máscaras…

Ao deitar, Carlos reviu a sua trágica insegurança, o constante logro dos homens. Ali, do alto da rampa vencida pela humanidade, ouvia o rumor das lutas, a glória dos triunfos, os arrancos dos sonhos na agonia. Que era a verdade? Pedro declarava que cada época forjava a sua e que nos restos das muitas verdades se endurecia a do tempo novo. Dispunha em esquadrões as forças para o combate. Entre as lanças vencedoras criava um novo inimigo. Pegava fogo a outra luta, e sabia já que o destino do mundo seriam sempre vários caminhos fechando para um, um caminho abrindo para muitos. E sempre assim, sem parar, sempre assim, sempre a mudança. Que fazer do anseio humano? Se eu luto, é para um fim. O que fizer será um meio para atingi-lo. Mas trepado ao fim, eu descobrirei nela apenas um «meio» para atingir «outro fim», que será por sua vez apenas um «meio» e assim ao infinito. Quando apontássemos à idade de ouro, a meta seria um sinal de morte. Mas a minha coragem só chega até ao FIM. Ao único.

Virgílio Ferreira

Publicado por: bulimundo | Dezembro 22, 2016

Bon Iver – Holocene..

 

 

Publicado por: bulimundo | Dezembro 22, 2016

Feliz natal a todos e mais alguns…

 

Publicado por: bulimundo | Dezembro 22, 2016

MATCH CUT: The Art of Cinematic Technique..

 

Se Eu Pudesse Trincar a Terra Toda…

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento …
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural…
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva …
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e assim seja …

Alberto Caeiro, in “O Guardador de Rebanhos – Poema XXI”
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Dezembro 8, 2016

…Nada é Certo …nada…mesmo nada..

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Ninguém avança pela vida em linha recta. Muitas vezes, não paramos nas estações indicadas no horário. Por vezes, saímos dos trilhos. Por vezes, perdemo-nos, ou levantamos voo e desaparecemos como pó. As viagens mais incríveis fazem-se às vezes sem se sair do mesmo lugar. No espaço de alguns minutos, certos indivíduos vivem aquilo que um mortal comum levaria toda a sua vida a viver. Alguns gastam um sem número de vidas no decurso da sua estadia cá em baixo. Alguns crescem como cogumelos, enquanto outros ficam inelutávelmente para trás, atolados no caminho. Aquilo que, momento a momento, se passa na vida de um homem é para sempre insondável. É absolutamente impossível que alguém conte a história toda, por muito limitado que seja o fragmento da nossa vida que decidamos tratar.

Henry Miller, in “O Mundo do Sexo”

Publicado por: bulimundo | Dezembro 8, 2016

Allen Halloween – Bandido Velho (videoclip quase oficial) ..

 

Publicado por: bulimundo | Novembro 23, 2016

A Vida Vazia da Cidade….

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Instalámo-nos, portanto, na cidade. Aí toda a vida é suportável para as pessoas infelizes. Um homem pode viver cem anos na cidade, sem dar por que morreu e apodreceu há muito. Falta tempo para o exame de consciência. As ocupações, os negócios, os contactos sociais, a saúde, as doenças e a educação das crianças preenchem-nos o tempo. Tão depressa se tem de receber visitas e retribuí-las, como se tem de ir a um espectáculo, a uma exposição ou a uma conferência.
De facto, na cidade aparece a todo o momento uma celebridade, duas ou três ao mesmo tempo que não se pode deixar de perder. Tão depressa se tem de seguir um regime, tratar disto ou daquilo, como se tem de falar com os professores, os explicadores, as governantas. A vida torna-se assim completamente vazia.

Leon Tolstoi, in “Sonata a Kreutzer”

 

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Novembro 20, 2016

OUTONO IMPRESSIONISTA…

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Publicado por: bulimundo | Novembro 20, 2016

OUTONO….

FOTO BY BULIMUNDA

Outono

O outono vem vindo, chegam melancolias,
cavam fundo no corpo,
instalam-se nas fendas; às vezes
por aí ficam com a chuva
apodrecendo;
ou então deixam marcas; as putas,
difíceis de apagar, de tão negras,
duras. Eugénio de Andrade, in ‘O Outro Nome da Terra’

 

 

Publicado por: bulimundo | Novembro 20, 2016

Trumpadas…

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Publicado por: bulimundo | Outubro 26, 2016

Algumas Coisas…

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foto by bulimunda

A morte e a vida morrem
e sob a sua eternidade fica
só a memória do esquecimento de tudo;
também o silêncio de aquele que fala se calará.

Quem fala de estas
coisas e de falar de elas
foge para o puro esquecimento
fora da cabeça e de si.

O que existe falta
sob a eternidade;
saber é esquecer, e
esta é a sabedoria e o esquecimento.

Manuel António Pina, in “Aquele que Quer Morrer”

 

 

Publicado por: bulimundo | Outubro 26, 2016

Duplex Marianne Faithfull..

 

 

Publicado por: bulimundo | Outubro 19, 2016

Terra – 24….

António, é preciso partir!
o moleiro não fia,
a terra é estéril,
a arca vazia,
o gado minga e se fina!
António, é preciso partir!
A enxada sem uso,
o arado enferruja,
o menino quere o pão; a tua casa é fria!
É preciso emigrar!
O vento anda como doido – levará o azeite;
a chuva desaba noite e dia – inundará tudo;
e o lar vazio,
o gado definhando sem pasto,
a morte e o frio por todo o lado,
só a morte, a fome e o frio por todo o lado, António!
É preciso embarcar!
Badalão! Badalão! – o sino
já entoa a despedida.
Os juros crescem;
o dinheiro e o rico não têm coração.
E as décimas, António?
Ninguém perdoa – que mais para vender?
Foi-se o cordão,
foram-se os brincos,
foi-se tudo!
A fome espia o teu lar.
Para quê lutar com a secura da terra,
com a indiferença do céu,
com tudo, com a morte, com a fome, coma a terra,
com tudo!
Árida, árida a vida!
António, é preciso partir!
António partiu.
E em casa, ficou tudo medonho, desamparado, vazio.

Fernando Namora, in ‘Terra’

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Publicado por: bulimundo | Outubro 19, 2016

Bob Dylan – the times they are a changin´..grande vídeo..

Publicado por: bulimundo | Outubro 19, 2016

Convergências político cinéfilas…

 

Publicado por: bulimundo | Outubro 19, 2016

Our society in this days…are we human yet or not??

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Publicado por: bulimundo | Outubro 19, 2016

Voltar ás terras….grande doc…o Portugal real..

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Publicado por: bulimundo | Setembro 28, 2016

The Good-Morrow ……

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I wonder, by my troth, what thou and I
Did, till we loved? Were we not weaned till then?
But sucked on country pleasures, childishly?
Or snorted we in the Seven Sleepers’ den?
’Twas so; but this, all pleasures fancies be.
If ever any beauty I did see,
Which I desired, and got, ’twas but a dream of thee.
And now good-morrow to our waking souls,
Which watch not one another out of fear;
For love, all love of other sights controls,
And makes one little room an everywhere.
Let sea-discoverers to new worlds have gone,
Let maps to other, worlds on worlds have shown,
Let us possess one world, each hath one, and is one.
My face in thine eye, thine in mine appears,
And true plain hearts do in the faces rest;
Where can we find two better hemispheres,
Without sharp north, without declining west?
Whatever dies, was not mixed equally;
If our two loves be one, or, thou and I
Love so alike, that none do slacken, none can die.
 By Jonh Donne
Source: The Norton Anthology of Poetry Third Edition (1983)

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Setembro 28, 2016

Leonard Cohen – A Thousand Kisses Deep..WITH MÓNICA BELLUCI…

Publicado por: bulimundo | Setembro 14, 2016

O retorno à escola..bom ano…

 

 

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Publicado por: bulimundo | Setembro 14, 2016

Lost Memories..magnifico short film..

 

 

Publicado por: bulimundo | Setembro 14, 2016

Are They Shadows????

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foto by bulimunda

Are they shadows that we see?
And can shadows pleasure give?
Pleasures only shadows be
Cast by bodies we conceive
And are made the things we deem
In those figures which they seem.
But these pleasures vanish fast
Which by shadows are expressed;
Pleasures are not, if they last;
In their passing is their best.
Glory is most bright and gay
In a flash, and so away.
Feed apace then, greedy eyes,
On the wonder you behold;
Take it sudden as it flies,
Though you take it not to hold.
When your eyes have done their part,
Thought must length it in the heart.
By Samuel Daniel
Publicado por: bulimundo | Setembro 14, 2016

Nick Cave & The Bad Seeds – ‘I Need You’…

 

Publicado por: bulimundo | Julho 26, 2016

FRASES PARA REFLECTIR NAS FÉRIAS…

Nada, na história, serve para ensinar aos homens a possibilidade de viverem em paz. É o ensino oposto que dela se destaca – e se faz acreditar.

Paul Valéry

 

 

Talvez a maior lição da história seja que ninguém aprendeu as lições da história.

Aldous Huxley

 

 

 

 

 

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