Publicado por: bulimunda | Dezembro 1, 2009

O Valor da Ingenuidade….


O maior perigo que corre o ingénuo: o de querer ser esperto. Tão ingénuo que cuida, coitado, de que alguma vez no mundo o conhecimento valeu mais do que a ingenuidade de cada um. A ingenuidade é o legítimo segredo de cada qual, é a sua verdadeira idade, é o seu próprio sentimento livre, é a alma do nosso corpo, é a própria luz de toda a nossa resistência moral.
Mas os ingénuos são os primeiros que ignoram a força criadora da ingenuidade, e na ânsia de crescer compram vantagens imediatas ao preço da sua própria ingenuidade.
Raríssimos foram e são os ingénuos que se comprometeram um dia para consigo próprios a não competir neste mundo senão consigo mesmos. A grande maioria dos ingénuos desanima logo de entrada e prefere tricher no jogo de honra, do mérito e do valor. São eles as próprias vítimas de si mesmos, os suicidas dos seus legítimos poetas, os grotescos espanatalhos da sua própria esperteza saloia. Bem haja o povo que encontrou para o seu idioma esta denunciante expressão da pessoa que é vítima de si mesma: a esperteza saloia. A esperteza saloia representa bem a lição que sofre aquele que não confiou afinal em si mesmo, que desconfiou de si próprio, que se permitiu servir de malícia, a qual como toda a espécie de malícia não perdoa exactamente ao próprio que a foi buscar. Em português a malícia diz-se exactamente por estas palavras: esperteza saloia.

Almada Negreiros

Publicado por: bulimunda | Dezembro 1, 2009

Mylène Farmer-c’est dans l’air…..

Publicado por: bulimunda | Novembro 30, 2009

Cartoon sobre o aluno Novas Oportunidades……

Publicado por: bulimunda | Novembro 30, 2009

Escolher a Felicidade….


Nem paz nem felicidade se recebem dos outros nem aos outros se dão. Está-se aqui tão sozinho como no nascer e no morrer; como de um modo geral no viver, em que a única companhia possível é a daquele Deus a um tempo imanente e transcendente e a dos que neles estão, a de seus santos. Felicidade ou paz nós as construímos ou destruímos: aqui o nosso livre-arbítrio supera a fatalidade do mundo físico e do mundo do proceder e toda a experiência que vamos fazendo, negativa mesmo para todos, a podemos transformar em positiva. Para o fazermos, se exige pouco, mas um pouco que é na realidade extremamente difícil e que não atingiremos nunca por nossas próprias forças: exige-se de nós, primacialmente, a humildade; a gratidão pelo que vem, como a de um ginasta pelo seu aparelho de exercício; a firmeza e a serenidade do capitão de navio em sua ponte, sabendo que o ata ao leme não a vontade de um rei, como nos Descobrimentos, mas a vontade de um rei de reis, revelada num servidor de servidores; finalmente, o entregar-se como uma criança a quem sabe o caminho. De qualquer forma, no fundo de tudo, o que há é um acto de decisão individual, um acto de escolha; posso ser, se tal me agradar, infeliz e inquieto.

Agostinho da Silva

Publicado por: bulimunda | Novembro 30, 2009

CARTOON POLÍTICO…TÃO ACTUAL….

Nenhum de nós sabe o que existe e o que não existe. Vivemos de palavras. Vamos até à cova com palavras. Submetem-nos, subjugam-nos. Pesam toneladas, têm a espessura de montanhas. São as palavras que nos contêm, são as palavras que nos conduzem. Mas há momentos em que cada um redobra de proporções, há momentos em que a vida se me afigura iluminada por outra claridade. Há momentos em que cada um grita: – Eu não vivi! eu não vivi! eu não vivi! – Há momentos em que deparamos com outra figura maior, que nos mete medo. A vida é só isto?

Raul Brandão

Publicado por: bulimunda | Novembro 30, 2009

A MELHOR DEFINIÇÃO DE SÓCRATES QUE EU JÁ LI…..

 

..Em todos os grandes embusteiros há um fenómeno digno de nota, ao qual eles devem o seu poder. No próprio acto do embuste, entre todos os preparativos, com o horripilante na voz, na expressão, nos gestos, no meio da eficiente encenação, acomete-os a crença em si próprios: é esta que, tão milagrosa e fascinante, fala então aos circunstantes..

Friedrich Nietzsche, in ‘Humano, Demasiado Humano’

 

Súbdito inútil de astros dominantes,
Passageiros como eu, vivo uma vida
Que não quero nem amo,
Minha porque sou ela,

No ergástulo de ser quem sou, contudo,
De em mim pensar me livro, olhando no alto
Os astros que dominam
Submissos de os ver brilhar.

Vastidão vã que finge de infinito
(Como se o infinito se pudesse ver!) —
Dá-me ela a liberdade?
Como, se ela a não tem?

Ricardo Reis, in “Odes”
Heterónimo de Fernando Pessoa

Publicado por: bulimunda | Novembro 29, 2009

ATENÇÃO: BIG BROTHER IS WATCHING US……

Publicado por: bulimunda | Novembro 29, 2009

A Castração da Personalidade….cada vez mais ela acontece….


O homem é um animal gregário. Político, dizia Aristóteles, ou seja, membro da cidade. Mas não só da cidade – de todas as greis espontâneas ou artificiais, estáveis ou precárias, onde quer que se encontre. Não pode suportar a ideia de estar só, consigo – quer ser unidade e não individualidade. Tem necessidade de se sentir cotovelo com cotovelo, pele com pele, no calor de uma multidão, ligado, seguro, uniforme, conforme. Se o leão anda só, em nós predomina o instinto ovino, do rebanho – os próprios individualistas, para afirmar o seu individualismo, congregam-se: sempre segundo a prática ovina.
O homem, quando só, sente-se incompleto – tem medo. Opor-se à grei significa separar-se, permanecer só, morrer. Os conceitos do bem e do mal nascem da necessidade de convivência. É bem o que aproveita ao grupo, mal o que o prejudica ou não beneficia. O rebanho não quer que cada ovelha pense demasiado em si, e como a privilegiada é a que obtém a boa opinião das outras, vê-se forçada, ainda que contra os seus gostos e interesses, a agir no sentido do bem supremo do rebanho. Há que pagar, com a castração da personalidade, a segurança contra o medo. Outros rebanhos formam-se em oposição aos rebanhos rivais – e estão unidos, mais do que pelo amor dos componentes entre si, pelo ódio contra o grupo antagonista. Há outros que constituem agrupamentos de fracos que pretendem defender os seus interesses, a sua liberdade e a vida contra os bandos dos fortes; muitíssimos mantêm-se juntos por motivos utilitários e económicos, enquanto alguns proclamam ser constituídos para fins puramente espirituais, para o «triunfo da Ideia», o qual, na maioria das vezes, consiste na repartição dos despojos não ideais dos vencidos.
Este gregarismo tenaz e cada vez mais florescente é uma das grandes provas de que os homens medíocres, embora de raças civilizadas, não ultrapassam o estado selvagem. Para os primitivos, pode-se dizer que o indivíduo não existe – a família e, sobretudo, a tribo, têm toda a responsabilidade e todos os poderes. O selvagem, em relação ao seu clã, é como um membro – cabeça ou braço, em relação a um ser vivo.
Os componentes de uma tribo são simples células de um corpo – vivem nela, para ela e graças a ela. Se um homem tem de escolher uma mulher ou ser iniciado nos mistérios ou ainda partir para a caça, é o grupo que decide e não ele. A vingança e o resgate competem à tribo, à qual pertence, solidariamente, a propriedade da terra. Os primitivos são democráticos e comunistas simultaneamente e vivem em regime de identidade.
Nos civilizados, ainda existem restos dessa existência madrepórica – todos estamos ligados, nas sociedades de tipo antigo, à nossa parentela, tal como cada patrício está intimamente vinculado à oligarquia, todo o nobre à sua casta e todo o soldado ao seu exército. Se os indivíduos são aparentemente livres na realidade, todo o inconformismo de costumes, de pensamentos e de actos é seguido de sanções severas, por vezes explícitas e escritas, ou tácitas, mas não menos graves e temíveis.

Giovanni Papini


Publicado por: bulimunda | Novembro 29, 2009

O Equilíbrio Humano….


As nossas opiniões são apenas suplementos da nossa existência e na maneira de pensar de uma pessoa pode ver-se o que lhe falta. Os indivíduos mais frívolos são os que se têm a si mesmos em grande consideração, e as pessoas de maior qualidade são apreensivas. O homem de vícios é descarado e o virtuoso é tímido. Deste modo tudo se equilibra: cada um de nós quer ser completo ou, pelo menos, quer ver-se como tal.

Johann Wolfgang von Goethe


Publicado por: bulimunda | Novembro 28, 2009

O GRANDE FILME DE NATAL..PARA MAIORES DE 69 ANOS…

Publicado por: bulimunda | Novembro 28, 2009

Vertigem Civilizacional Desumana……

 

O homem não pode manter-se humano a esta velocidade, se viver como um autómato será aniquilado. A serenidade, uma certa lentidão, é tão inseparável da vida do homem como a sucessão das estações é inseparável das plantas, ou do nascimento das crianças. Estamos no caminho mas não a caminhar, estamos num veículo sobre o qual nos movemos incessantemente, como uma grande jangada ou como essas cidades satélites que dizem que haverá. E ninguém anda a passo de homem, por acaso algum de nós caminha devagar? Mas a vertigem não está só no exterior, assimilá-mo-la na nossa mente que não pára de emitir imagens, como se também fizesse zapping; talvez a aceleração tenha chegado ao coração que já lateja num compasso de urgência para que tudo passe rapidamente e não permaneça. Este destino comum é a grande oportunidade, mas quem se atreve a saltar para fora? Já nem sequer sabemos rezar porque perdemos o silêncio e também o grito. Na vertigem tudo é temível e desaparece o diálogo entre as pessoas. O que nos dizemos são mais números do que palavras, contém mais informação do que novidade. A perda do diálogo afoga o compromisso que nasce entre as pessoas e que pode fazer do próprio medo um dinamismo que o vença e que lhes outurgue uma maior liberdade. Mas o grave problema é que nesta civilização doente não há só exploração e miséria, mas também uma correlativa miséria espiritual. A grande maioria não quer a liberdade, teme-a. O medo é um sintoma do nosso tempo. A tal extremo que, se rasparmos um pouco a superfície, poderemos verificar o pânico que está subjacente nas pessoas que vivem sob a exigência do trabalho nas grandes cidades. A exigência é tal que se vive automaticamente sem que um sim ou um não tenha precedido os actos.

Ernesto Sábato, in ‘Resistir’

 

 

Publicado por: bulimunda | Novembro 28, 2009

A Imaginação Humana é Imensamente Mais Pobre que a Realidade…


A imaginação humana é imensamente mais pobre que a realidade. Se pensamos no futuro, vemo-lo sempre desenvolver-se segundo um sistema monótono. Não pensamos que o passado é um multicolor caos de gerações. Isto pode também servir para nos consolar dos terrores causados pela «barbárie técnica e totalitária» do futuro. Nos cem anos mais próximos poderá produzir-se uma sequência de, pelo menos, três momentos, e o espírito humano poderá, sucessivamente, viver na rua, na prisão e nos jornais.
O mesmo se pode dizer do futuro pessoal.

Cesare Pavese, in “O Ofício de Viver”

Publicado por: bulimunda | Novembro 27, 2009

Hikikomori…o FUTURO?…..

Publicado por: bulimunda | Novembro 27, 2009

“Hearts on Fire” Cut Copy..and cut..and cut..and cut..

Publicado por: bulimunda | Novembro 27, 2009

Os Mesmos Erros ….

 

 

Mesmo um exame superficial da história revela que nós, seres humanos, temos uma triste tendência para cometer os mesmos erros repetidas vezes. Temos medo dos desconhecidos ou de qualquer pessoa que seja um pouco diferente de nós. Quando ficamos assustados, começamos a ser agressivos para as pessoas que nos rodeiam. Temos botões de fácil acesso que, quando carregamos neles, libertam emoções poderosas. Podemos ser manipulados até extremos de insensatez por políticos espertos. Dêem-nos o tipo de chefe certo e, tal como o mais sugestionável paciente do terapeuta pela hipnose, faremos de bom grado quase tudo o que ele quer – mesmo coisas que sabemos serem erradas.

Carl Sagan, in ‘O Mundo Infestado de Demónios’

Publicado por: bulimunda | Novembro 26, 2009

Andrea Bocelli- Con te Partiro…num país de cegos ….

Publicado por: bulimunda | Novembro 26, 2009

FRASE DA SEMANA……

A experiência é o nome que damos aos nossos erros…

Óscar Wilde

Publicado por: bulimunda | Novembro 26, 2009

O Pessimismo é Excelente para os Inertes….


O Pessimismo é uma teoria bem consoladora para os que sofrem, porque desindividualiza o sofrimento, alarga-o até o tornar uma lei universal, a lei própria da Vida; portanto lhe tira o carácter pungente de uma injustiça especial, cometida contra o sofredor por um Destino inimigo e faccioso! Realmente o nosso mal sobretudo nos amarga quando contemplamos ou imaginamos o bem do nosso vizinho – porque nos sentimos escolhidos e destacados para a Infelicidade, podendo, como ele, ter nascido para a Fortuna. Quem se queixaria de ser coxo – se toda a humanidade coxeasse? E quais não seriam os urros, e a furiosa revolta do homem envolto na neve e friagem e borrasca de um Inverno especial, organizado nos céus para o envolver a ele unicamente – enquanto em redor toda a humanidade se movesse na benignidade de uma Primavera? (…) O Pessimismo é excelente para os Inertes, porque lhes atenua o desgracioso delito da Inércia.

Eça de Queirós,

Vou sobre o Oceano (o luar, de doce, enleva!)

Vou sobre o Oceano (o luar, de doce, enleva!)
Por este mar de Glória, em plena paz.
Terra da Pátria somem-se na treva,
Águas de Portugal ficam, atrás.

Onde vou eu? Meu fado onde me leva?
António, onde vais tu, doido rapaz?
Não sei. Mas o Vapor, quando se eleva,
Lembra o meu coração, na ânsia em que jaz.

Ó Lusitânia que te vais à vela!
Adeus! que eu parto (rezarei por ela)
Na minha Nau Catrineta, adeus!

Paquete, meu Paquete, anda ligeiro,
Sobe depressa à gávea, Marinheiro,
E grita, França! pelo amor de Deus!

Antonio Nobre

Publicado por: bulimunda | Novembro 25, 2009

Para o meu puto….COM MEIA DÚZIA DE ANOS E JÁ QUESTIONA…!

Menino

No colo da mãe
a criança vai e vem
vem e vai
balança.
Nos olhos do pai
nos olhos da mãe
vem e vai
vai e vem
a esperança.

Ao sonhado
futuro
sorri a mãe
sorri o pai.
Maravilhado
o rosto puro
da criança
vai e vem
vem e vai
balança.

De seio a seio
a criança
em seu vogar
ao meio
do colo-berço
balança.

Balança
como o rimar
de um verso
de esperança.

Depois quando
com o tempo
a criança
vem crescendo
vai a esperança
minguando.
E ao acabar-se de vez
fica a exacta medida
da vida
de um português.

Criança
portuguesa
da esperança
na vida
faz certeza
conseguida.
Só nossa vontade
alcança
da esperança
humana realidade.

Manuel da Fonseca


Publicado por: bulimunda | Novembro 25, 2009

A crença dos tontos….

FOTO BY BULIMUNDA

Publicado por: bulimunda | Novembro 25, 2009

PARA TODOS OS INGÉNUOS DESTE MUNDO E DO OUTRO…….

Publicado por: bulimunda | Novembro 25, 2009

O Mundo Real não Existe para o Homem Prático……


Há duas maneiras de olhar as coisas, como há duas maneiras de as não olhar. Ou se olham pondo-nos de fora delas ou pondo-nos dentro delas. Só no segundo caso as vemos bem, porque só então nos vemos mal ou simplesmente nos perdemos a nós de vista. O primeiro ver é o do homem prático, o segundo, o do artista. Um e outro também divergem no modo de não ver as coisas. O primeiro porque simplesmente as não vê; o segundo porque não repara nelas. Ao contrário do que se supõe, o mundo real não existe para o homem prático: o que existe é a sua instrumentalização. Uma flor só lhe existe se a puser na lapela ou mesmo num jarro; como um pássaro só lhe é real se o tiver numa gaiola ou o comer frito.

Vergílio Ferreira


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