Publicado por: bulimundo | Outubro 30, 2014

Ivan’s Childhood * La Infancia de Iván 1962

Só o combate nos apraz, mas não a vitória: gostamos de ver os combates de animais, não o vencedor a encarniçar-se sobre o vencido; que desejámos ver, senão o fim da vitória? E logo que ela é alcançada, ficamos saciados. Assim no jogo, assim na busca da verdade. Gostamos de ver, nas disputas, a luta de opiniões; mas não de contemplar a verdade encontrada: para a saudarmos gostosamente temos de vê-la nascer da disputa. Do mesmo modo, nas paixões, o que dá prazer é assistir ao combate de duas contrárias; mas quando uma delas domina, tudo se reduz a brutalidade. Nunca buscamos as coisas, mas sim a busca das coisas.

Blaise Pascal

Publicado por: bulimundo | Outubro 28, 2014

Beirut – The Concubine (Live) ..

Publicado por: bulimundo | Outubro 27, 2014

Envelhecer….100′ (from 0 to 100 years in 150 seconds)…

É o Que a Gente Leva Desta Vida…
A persistência instintiva da vida através da aparência da inteligência é para mim uma das contemplações mais íntimas e mais constantes. O disfarce irreal da consciência serve somente para me destacar aquela inconsciência que não disfarça.
Da nascença à morte, o homem vive servo da mesma exterioridade de si mesmo que têm os animais. Toda a vida não vive, mas vegeta em maior grau e com mais complexidade. Guia-se por normas que não sabe que existem, nem que por elas se guia, e as suas ideias, os seus sentimentos, os seus actos, são todos inconscientes – não porque neles falte a consciência, mas porque neles não há duas consciências.
Vislumbres de ter a ilusão – tanto, e não mais, tem o maior dos homens.Sigo, num pensamento de divagação, a história vulgar das vidas vulgares. Vejo como em tudo são servos do temperamento subconsciente, das circunstâncias externas alheias, dos impulsos de convívio e desconvívio que nele, por ele e com ele se chocam como pouca coisa.
Quantas vezes os tenho ouvido dizer a mesma frase que simboliza todo o absurdo, todo o nada, toda a insciência falada das suas vidas. É aquela frase que usam de qualquer prazer material: «é o que a gente leva desta vida»…
Fernando Pessoa
Publicado por: bulimundo | Outubro 27, 2014

Jean-Luc Godard Vivre sa vie & Radiohead …

foto Alfredo Cunha

Sou o que sabe não ser menos vão
Que o vão observador que frente ao mudo
Vidro do espelho segue o mais agudo
Reflexo ou o corpo do irmão.
Sou, tácitos amigos, o que sabe
Que a única vingança ou o perdão
É o esquecimento. Um deus quis dar então
Ao ódio humano essa curiosa chave.
Sou o que, apesar de tão ilustres modos
De errar, não decifrou o labirinto
Singular e plural, árduo e distinto,
Do tempo, que é de um só e é de todos.
Sou o que é ninguém, o que não foi a espada
Na guerra. Um esquecimento, um eco, um nada.

Jorge Luis Borges

foto de Alfredo Cunha

Publicado por: bulimundo | Outubro 26, 2014

Sigur Rós: Í Gær- Minn Heima ….

Eu não Quero o Presente, Quero a Realidade…
Vive, dizes, no presente,
Vive só no presente.

Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede.

O que é o presente?
É uma cousa relativa ao passado e ao futuro.
É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem.
Eu quero só a realidade, as cousas sem presente.

Não quero incluir o tempo no meu esquema.
Não quero pensar nas cousas como presentes; quero pensar nelas
                         como cousas.

Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes.

Eu nem por reais as devia tratar.
Eu não as devia tratar por nada.

Eu devia vê-las, apenas vê-las;
Vê-las até não poder pensar nelas,
Vê-las sem tempo, nem espaço,
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê.
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma.

Alberto Caeiro

Publicado por: bulimundo | Outubro 22, 2014

Durutti Column The Room ..whitout air….

foto de Alfredo Cunha

Publicado por: bulimundo | Outubro 20, 2014

Homens em Ficção … num país também ele de ficção………

foto de Alfredo Cunha
As coisas que existem são o que são, mas as que não existem são o que não são, e isso é muito maior. (…) A vida toda está cheia do que não existe e isso é que é difícil. Mesmo naquilo que existe há sempre aquilo que não existe e é só isso que nos interessa. Porque o que importa não é aquilo que se tem, mesmo que se tenha já tudo: o que importa é o que ainda aí procuramos, mesmo que já não haja nada para encontrar. Mas se calhar é só assim que se é homem, o que nos torna a vida um pouco dura. Somos homens não pelo que existe mas pelo que nem sequer pode existir – seremos? Somos homens em ficção, à custa do que não há? – seremos?

Vergílio Ferreira, in ‘Nítido Nulo

Publicado por: bulimundo | Outubro 20, 2014

ARTSAVA – ORDINARY MORNING IN PARADISE (IT WAS A SUN) …

Publicado por: bulimundo | Outubro 19, 2014

FABULOSA PUBLICIDADE… Official Fiat 500X teaser – blue pill ..

Publicado por: bulimundo | Outubro 19, 2014

Bom domingo….

 

O prazer profundo, inefável, que é andar por estes campos desertos e varridos pela ventania, subir uma encosta difícil e olhar lá de cima a paisagem negra, escalvada, despir a camisa para sentir directamente na pele a agitação furiosa do ar, e depois compreender que não se pode fazer mais nada, as ervas secas, rente ao chão, estremecem, as nuvens roçam por um instante os cumes dos montes e afastam-se em direcção ao mar, e o espírito entra numa espécie de transe, cresce, dilata-se, não tarda que estale de felicidade. Que mais resta, então, senão chorar?

José Saramago,

Cai a chuva abandonada
à minha melancolia,
a melancolia do nada
que é tudo o que em nós se cria.

Memória estranha de outrora
não a sei e está presente.
Em mim por si se demora
e nada em mim a consente

do que me fala à razão.
Mas a razão é limite
do que tem ocasião

de negar o que me fite
de onde é a minha mansão
que é mansão no sem-limite.
Ao longe e ao alto é que estou
e só daí é que sou.

Vergílio Ferreira

gg

Publicado por: bulimundo | Outubro 16, 2014

The rain keeps falling….still falls the rain…

Publicado por: bulimundo | Outubro 15, 2014

Um Mundo Catita – As minhas coisas favoritas…..

Publicado por: bulimundo | Outubro 14, 2014

Edward Artemiev – Dedication

Publicado por: bulimundo | Outubro 13, 2014

Le Crépuscule du matin…..

La diane chantait dans les cours des casernes,
Et le vent du matin soufflait sur les lanternes.

C’était l’heure où l’essaim des rêves malfaisants
Tord sur leurs oreillers les bruns adolescents;
Où, comme un oeil sanglant qui palpite et qui bouge,
La lampe sur le jour fait une tache rouge;
Où l’âme, sous le poids du corps revêche et lourd,
Imite les combats de la lampe et du jour.
Comme un visage en pleurs que les brises essuient,
L’air est plein du frisson des choses qui s’enfuient,
Et l’homme est las d’écrire et la femme d’aimer.

Les maisons çà et là commençaient à fumer.
Les femmes de plaisir, la paupière livide,
Bouche ouverte, dormaient de leur sommeil stupide;
Les pauvresses, traînant leurs seins maigres et froids,
Soufflaient sur leurs tisons et soufflaient sur leurs doigts.
C’était l’heure où parmi le froid et la lésine
S’aggravent les douleurs des femmes en gésine;
Comme un sanglot coupé par un sang écumeux
Le chant du coq au loin déchirait l’air brumeux
Une mer de brouillards baignait les édifices,
Et les agonisants dans le fond des hospices
Poussaient leur dernier râle en hoquets inégaux.
Les débauchés rentraient, brisés par leurs travaux.

L’aurore grelottante en robe rose et verte
S’avançait lentement sur la Seine déserte,
Et le sombre Paris, en se frottant les yeux
Empoignait ses outils, vieillard laborieux.

Charles Baudelaire

Publicado por: bulimundo | Outubro 12, 2014

Short film…(Teeth Smile) – Roman Polanski – 1957

Publicado por: bulimundo | Outubro 12, 2014

Japan – Quiet Life….dream on…

Publicado por: bulimundo | Outubro 11, 2014

O Mais Fundo de Nós Mesmos ..do fundo do fundo…

A uma certa altura do auto-conhecimento, quando estão presentes outras circunstâncias que favorecem a auto-segurança, invariavelmente e sem outra hipótese sentimo-nos execráveis. Todas as medidas do bem — por muito que as opiniões possam diferir sobre isto — parecerão demasiado altas. Vemos que não passamos de um ninho de ratos feito de dissimulações miseráveis. O mais insignificante dos nossos actos não deixa de estar contaminado por estas dissimulações. Estas intenções dissimuladas são tão horríveis que no decurso do nosso exame de consciência não vamos querer ponderá-las de perto, mas, pelo contrário, ficaremos contentes de as avistar de longe. Estas intenções não são todas elas feitas apenas de egoísmo, o egoísmo em comparação parece um ideal do bem e do belo. A porcaria que vamos encontrar existe por si só; reconheceremos que viemos ao mundo pingando este fardo e sairemos outra vez irreconhecíveis, ou então demasiado reconhecíveis, por causa dela. Esta porcaria é o fundo mais profundo que encontraremos; nos fundos mais profundos não haverá lava, não, mas porcaria. É o mais fundo e o mais alto e até as dúvidas que o exame de consciência origina em breve enfraquecerão e se tornarão complacentes como o espojar de um porco na imundície.

Franz Kafka

Publicado por: bulimundo | Outubro 11, 2014

Morrissey: Kick the Bride Down the Aisle (Unofficial Video) ….

Publicado por: bulimundo | Outubro 10, 2014

David Bowie – The Next Day…

Publicado por: bulimundo | Outubro 10, 2014

Eyes of Hitchcock….

Publicado por: bulimundo | Outubro 9, 2014

Tom Waits – Crossroads …

Clicar na imagem….

Publicado por: bulimundo | Outubro 8, 2014

Patti Smith – Privilege (Set me free) …

 

Tudo nestes tempos funciona em circuito fechado….

Todos nós pensamos ter acesso a muita informação… saber muita coisa daquilo que queremos saber…na verdade porém, aquilo que pensamos saber é apenas aquilo que outros querem que nós saibamos…o excesso de informação é parte desse processo..Assim, aquilo que pensamos saber é na sua grande parte residual…serve apenas para pensarmos que temos uma opinião formada sobre algo…que podemos escolher algo livremente..dá -nos a sensação de ter esse poder…… um poder apenas  fátuo….ilusório..nada mais do que isso…

Publicado por: bulimundo | Outubro 6, 2014

Buli olhares…as folhas caídas de todo um país..

Às Vezes Entre a Tormenta…
Às vezes entre a tormenta,
quando já humedeceu,
raia uma nesga no céu,
com que a alma se alimenta.

E às vezes entre o torpor
que não é tormenta da alma,
raia uma espécie de calma
que não conhece o langor.

E, quer num quer noutro caso,
como o mal feito está feito,
restam os versos que deito,
vinho no copo do acaso.

Porque verdadeiramente
sentir é tão complicado
que só andando enganado
é que se crê que se sente.

Sofremos? Os versos pecam.
Mentimos? Os versos falham.
E tudo é chuvas que orvalham
folhas caídas que secam.

Fernando Pessoa

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Publicado por: bulimundo | Outubro 1, 2014

Quiet Crowd’ by Patrick Watson -………

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