Publicado por: bulimundo | Fevereiro 25, 2015

Mazzy Star – live 1994 – pro-shot VIDEO, 5-song set complete ..

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 24, 2015

Hearing Tarantino….fabuloso….

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 23, 2015

Belle & Sebastian ‘Nobody’s Empire

Escolher é próprio do homem, mas escolhe-se com a rejeição e mais com o acolhimento. Vencer não significa apenas destruir, mas incorporar. A razão será tanto mais razoável quanto maior a loucura que assumir em si; o herói será mais forte se transferir para si a energia do pecador, e a fantasia do poeta tornará mais profundos os cálculos do político.
Quando o chefe da alma é o poeta, verdadeiramente poeta, não encarcera a razão, mas condu-la consigo para cima, ao céu em que até o silogismo se torna fogo. Quando o vitorioso é o santo, até o ladrão, sob a forma de arrependimento, é elevado ao paraíso. E os espectos, tornados participantes da luz, não têm motivo para recorrer às fantasias nocturnas para se iludirem de que vivem. A vida não é sonho, mas a urdidura dos sonhos pode iluminar e embelezar a trama da vida.

Giovanni Papini, in ‘Relatório Sobre os Homens’

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 22, 2015

The End Of Europe by Ryuichi Sakamoto ..

Foram os espíritos fortes e os espíritos malignos, os mais fortes e os mais malignos, que obrigaram a natureza a fazer mais progressos: reacenderam constantemente as paixões que adormecidas – todas as sociedades policiadas as adormecem -, despertaram constantemente o espírito de comparação e de contradição, o gosto pelo novo, pelo arriscado, pelo inexperimentado; obrigaram o homem a opor incessantemente as opiniões às opiniões, os ideais aos ideais.
As mais das vezes pelas armas, derrubando os marcos fronteiriços, violando as crenças, mas fundando também novas religiões, criando novas morais! Esta «maldade» que se encontra em todos os professores do novo, em todos os pregadores de coisas novas, é a mesma «maldade» que desacredita o conquistador, se bem que ela se exprime mais subtilmente e não mobilize imediatamente o músculo; – o que faz de resto com que desacredite com menos força! – O novo, de qualquer maneira, é o mal, pois é aquilo que quer conquistar, derrubar os marcos fronteiriços, abater as antigas crenças; só o antigo é o bem! Os homens de bem em todas as épocas, são aqueles que implantam profundamente as velhas ideias para lhes dar fruto, são os cultivadores do espírito. Mas todos os terrenos acabam por se esgotar, é preciso sempre que a charrua do mal aí volte.

Friedrich Nietzsche

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 19, 2015

Mazzy Star – Fade Into You (Live) ..

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 19, 2015

Vive o Dia de Hoje!…

Não penses para amanhã. Não lembres o que foi de ontem. A memória teve o seu tempo quando foi tempo de alguma coisa durar. Mas tudo hoje é tão efémero. Mesmo o que se pensa para amanhã é para já ter sido, que é o que desejamos que seja logo que for. É o tempo de Deus que não tem futuro nem passado. Foi o que dele nós escolhemos no sonho do nosso absoluto. Não penses para amanhã na urgência de seres agora. Mesmo logo à tarde é muito tarde. Tudo o que és em ti para seres, vê se o és neste instante. Porque antes e depois tudo é morte e insensatez. Não esperes, sê agora. Lê os jornais. O futuro é o embrulho que fizeres com eles ou o papel urgente da retrete quando não houver outro.

Vergílio Ferreira, in “Escrever”

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 13, 2015

Interpol – All The Rage Back Home

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 7, 2015

BULIOLHARES…HORIZONTES INFINITOS…

De Onde é quase o Horizonte

De onde é quase o horizonte
Sobe uma névoa ligeira
E afaga o pequeno monte
Que pára na dianteira.

E com braços de farrapo
Quase invisíveis e frios,
Faz cair seu ser de trapo
Sobre os contornos macios.

Um pouco de alto medito
A névoa só com a ver.
A vida? Não acredito.
A crença? Não sei viver.

Fernando Pessoa, in “Cancioneiro”

Existe, frequentemente, em suma, uma espécie de humildade receosa, que, quando nos aflige, nos torna para sempre impróprios para as disciplinas do conhecimento. Porque, no momento em que o homem que a transporta descobre uma coisa que o choca, dá meia volta seja como for, e diz consigo: «Enganaste-te! Onde é que tinhas a cabeça? Isso não pode ser verdade!». De forma que em vez de examinar mais de perto e de ouvir com mais atenção, desata a fugir completamente aterrado, evita encontrar aquilo que o choca e procura esquecê-lo o mais depressa possível. Porque eis o que diz a sua lei: «Não quero dizer nada que contradiga a opinião corrente. Serei eu feito para descobrir novas verdades? Já há demasiadas antigas».

Friedrich Nietzsche, in ‘A Gaia Ciência’

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 7, 2015

U2 – Cedars Of Lebanon….

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 2, 2015

As Nossas Verdades…

A aprendizagem transforma-nos, faz o mesmo que toda a alimentação que também não «conserva» apenas -: como sabe o fisiólogo. Mas no fundo de nós mesmos, muito «lá no fundo», há, na verdade, qualquer coisa rebelde a toda a instrução, um granito de fatum espiritual, de decisões predestinadas e de resposta a perguntas escolhidas e pré-formuladas. A cada problema fundamental ouve-se inevitavelmente dizer «isso sou eu»; por exemplo, a respeito do homem e da mulher, um pensador não pode aprender nada de novo mas apenas aprender até ao fim, – prosseguir até ao fim na descoberta do que, para ele, era «coisa assente» a esse respeito. Encontram-se por vezes certas soluções de problemas que alimentam precisamente a nossa grande fé; talvez de ora em diante lhes chamemos as nossas «convicções».

Mais tarde – só se verá, nessas convicções, pegadas que conduzem ao autoconhecimento, indicadores que conduzem ao problema que nós somos, – ou mais exactamente, à grande estupidez que somos, ao nosso fatum espiritual, ao incorrigível, que se encontra totalmente «lá no fundo». – Depois dessa atitude simpática que acabo de assumir em relação a mim próprio, talvez me seja mais facilmente permitido dizer francamente algumas verdades sobre «a mulher em si»: uma vez que agora já se sabe de antemão que são apenas – as minhas verdades.

Friedrich Nietzsche, in ‘Para Além de Bem e Mal’

A nossa sociedade gravita em torno de 3 eixos. Muito poucos são os que não se deixam cair em nenhuma das reais tentações do aparente.
O culto destas dimensões imediatas da identidade remete para planos secundários todas as categorias interiores que a estruturam e consubstanciam, dispensando ponderação e reflexão, abrem alas a uma preguiça estranha que se contenta com o superficial. Quase uma animalidade consentida, mas sem sentido.

 
O sexo, fazendo parte da vida, não é contudo o mais importante. O hábito consome-se com tremenda rapidez, e o corpo é apenas uma ínfima parte do que somos, o albergue temporário de uma interioridade composta por, tantas vezes, tenebrosas podridões, vulgaridades comuns e, por vezes também, belezas indescritíveis. Felizmente, o ser humano é capaz de ver para bem mais longe do que a vista alcança, e ver o outro através do seu corpo.

O poder atrai e corrompe, muito antes de ser atingido. Promete o que há de melhor pela amplificação da liberdade, mas como não dá nunca o discernimento essencial às escolhas que determinam os passos que nos aproximam da felicidade, ilude enquanto afoga quem se julga por ele abraçado.

O dinheiro é o que parece mover com mais eficácia o mundo, o que diz mais do mundo do que das contas bancárias. Quantificação simples de um tipo de sucesso que explora mais do que eleva, o dinheiro não se torna, nem mesmo em quantidades desproporcionadas, numa riqueza, uma vez que a riqueza será o que dignifica e engrandece, jamais o seu contrário.

Sexo, poder e dinheiro são promessas vãs. Chegam a conjugar-se a fim de escravizar mais eficazmente quem parece amar a sua própria desgraça. São muitos os que desperdiçam a sua única vida em busca do que não presta. É sempre trágico, mas não deixa de ser justo.

José Luís Nunes Martins, in ‘Filosofias – 79 Reflexões’

Pesquisa
Publicado por: bulimundo | Fevereiro 1, 2015

A capa do ano de 2015..para mim…soberba…

Publicado por: bulimundo | Janeiro 31, 2015

Rain” By Edward Thomas Poem animation….

Publicado por: bulimundo | Janeiro 28, 2015

The Morning After Girls – Still Falling (Lost In Translation) ..

Publicado por: bulimundo | Janeiro 28, 2015

Frank Ocean | “Lost”

Publicado por: bulimundo | Janeiro 28, 2015

Circle of Lorca..poetry…..


by Frank Stanford

When you take the lost road
You come to the snow
And when you find the snow
You get down on your hands and knees
Like a sick dog
That’s been eating the grasses of graveyards
For twenty centuries.
When you take the lost road
You find woman
Who has no fear of light
Who can kill two cocks at once
Light which has no fear of cocks
And cocks who can’t call in the snow.
You find lovers who’ve been listening
For the same roosters to sing
For twenty centuries
Roosters that have swallowed stones
Out of each other’s tracks
But have never met
Anywhere on the road.
When you take the lost road
You find the bright feathers of morning
Laid out in proportion to snow and light
And when the snow gets lost on the road
Then the hot wind might blow from the south   
And there is sadness in bed for twenty centuries
And everyone is chewing the grass on the graves again.
When you get lost
You come to the moon in the field
The light all lovers soil
The sheet no one leaves clean
The light cocks are afraid to cross
The same moon woman danced under
For twenty centuries
With blood on her face.
When you get lost on the road
You run into the dead
Who have broken down stones
In their throats for twenty centuries
I saw two little crazy boys crying
Because it was morning
And when morning comes it comes
In the morning and never at night.
I saw two security police taking out a man’s balls
And I saw two little crazy boys
Crying by the road who wouldn’t go away
But two has never been a number
Because it’s only legal to pass one at a time
It’s only a drum you can carry but you can’t beat
It’s the evidence they need to make you disappear.

Há uma ligação muito estreita entre a adoração da acção e o uso do homem como meio de atingir fins que não são o homem. Como há uma ligação aproximada entre este desespero e a acção, entre a razão e a acção. A proeminência dos valores da acção sobre os da contemplação indica, sobretudo, que o homem abandonou totalmente a busca duma ideia aprazível do homem e o desejo de o colocar como fim. E que na impossibilidade de agir segundo um fim, ou de agir para ser homem, ele decide agir de qualquer maneira, apenas para agir.
O homem de acção é um desesperado que procura preencher o vazio do seu próprio desespero com actos ligados mecanicamente uns aos outros e compreendidos entre um ponto de início e um ponto de conclusão, ambos gratuitos e convencionais. Por exemplo, entre o ponto de início da fabricação dum automóvel e o ponto de conclusão dessa fabricação. O homem de acção suspenderá o seu desespero enquanto durar a fabricação do veículo; suspendê-lo-á precisamente porque no seu espírito fica suspensa qualquer finalidade verdadeiramente humana: sente-se meio entre os outros homens, meios como ele. Concluída a máquina ele encontrar-se-á, é verdade, mais inerte e exânime que a própria máquina, mas arrolhará subitamente com uma promoção, com uma medalha, um pagamento a dobrar, ou simplesmente com a construção de um novo automóvel. Efectivamente apresentar-se-á a envolver-se no fluxo alienatório da acção.

Alberto Moravia, in “O Homem Como Fim”

Publicado por: bulimundo | Janeiro 24, 2015

Bruce Springsteen – Working On A Dream..

Publicado por: bulimundo | Janeiro 24, 2015

Ser Livre..É mais difícil ser livre do que puxar a uma carroça…

É mais difícil ser livre do que puxar a uma carroça. Isto é tão evidente que receio ofender-vos. Porque puxar uma carroça é ser puxado por ela pela razão de haver ordens para puxar, ou haver carroça para ser puxada. Ou ser mesmo um passatempo passar o tempo puxando. Mas ser livre é inventar a razão de tudo sem haver absolutamente razão nenhuma para nada. É ser senhor total de si quando se é senhoreado. É darmo-nos inteiramente sem nos darmos absolutamente nada. É ser-se o mesmo, sendo-se outro. É ser-se sem se ser. Assim, pois, tudo é complicado outra vez. É mesmo possível que sofra aqui e ali de um pouco de engasgamento. Mas só a estupidez se não engasga, ó meritíssimos, na sua forma de ser quadrúpede, como vós o deveis saber.

Vergílio Ferreira, in ‘Nítido Nulo’

Publicado por: bulimundo | Janeiro 23, 2015

Bella Coola Gnar Segment (from INTO THE MIND)..

Publicado por: bulimundo | Janeiro 23, 2015

Faces: 105 of Cinema’s Most Beautiful Close-Ups…

Quando nós dizemos o bem, ou o mal… há uma série de pequenos satélites desses grandes planetas, e que são a pequena bondade, a pequena maldade, a pequena inveja, a pequena dedicação… No fundo é disso que se faz a vida das pessoas, ou seja, de fraquezas, de debilidades… Por outro lado, para as pessoas para quem isto tem alguma importância, é importante ter como regra fundamental de vida não fazer mal a outrem. A partir do momento em que tenhamos a preocupação de respeitar esta simples regra de convivência humana, não vale a pena perdermo-nos em grandes filosofias sobre o bem e sobre o mal. «Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti» parece um ponto de vista egoísta, mas é o único do género por onde se chega não ao egoísmo mas à relação humana.

José Saramago

Publicado por: bulimundo | Janeiro 19, 2015

Inedit U2 ….

Publicado por: bulimundo | Janeiro 19, 2015

EMPTY – Parkour and Freerunning….

Publicado por: bulimundo | Janeiro 18, 2015

Ryuichi Sakamoto – Faraway Song ..

Publicado por: bulimundo | Janeiro 17, 2015

Fabulástico…. Criterion Designs…

Publicado por: bulimundo | Janeiro 17, 2015

O VENTO SOPRA ONDE QUER. (2013)….

Publicado por: bulimundo | Janeiro 12, 2015

Malick // Fire & Water..

Publicado por: bulimundo | Janeiro 12, 2015

Linklater // On Cinema & Time..time goes by….

Publicado por: bulimundo | Janeiro 10, 2015

Hands of Bresson..fantástico…

Publicado por: bulimundo | Janeiro 10, 2015

Stanley Kubrick’s One-Point Perspective ……fabuloso…

Publicado por: bulimundo | Janeiro 8, 2015

O Ódio liga mais os Indivíduos que a Amizade….

O ódio, a inveja e o desejo de vingança ligam muitas vezes mais dois indivíduos um ao outro do que o podem fazer o amor e a amizade. Pois está em causa a comunidade de interesses interiores ou exteriores e a alegria que se sente nessa comunidade – onde é muitas vezes determinada a essência das relações positivas entre os indivíduos: o amor e a amizade – é sempre relativa e não é em nenhum caso um estado de alma permanente; mas as relações negativas, essas são, a maior parte das vezes, absolutas e constantes. O ódio, a inveja e o desejo de vingança têm, poder-se-ia dizer, o sono mais ligeiro do que o amor. O menor sopro os desperta, enquanto que o amor e a amizade continuam tranquilamente a dormir, mesmo sob o trovão e os relâmpagos.

Arthur Schnitzler, in ‘Relações e Solidão’

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