Publicado por: bulimundo | Julho 17, 2017

Os Loucos…..insanos…

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Há vários tipos de louco.

O hitleriano, que barafusta.
O solícito, que dirige o trânsito.
O maníaco fala-só.

O idiota que se baba,
explicado pelo psiquiatra gago.
O legatário de outros,
o que nos governa.

O depressivo que salva
o mundo. Aqueles que o destroem.

E há sempre um
(o mais intratável) que não desiste
e escreve versos.

Não gosto destes loucos.
(Torturados pela escuridão, pela morte?)
Gosto desta velha senhora
que ri, manso, pela rua, de felicidade.

António Osório, in ‘A Ignorância da Morte’

Publicado por: bulimundo | Julho 17, 2017

Cocteau Twins & This Mortal Coil – Gathering Dust…

Publicado por: bulimundo | Julho 13, 2017

Bauhaus – All We Ever Wanted Was Everything ….

 

 

Publicado por: bulimundo | Julho 13, 2017

Muita Cagança…

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Todos nós damos vontade de rir. Somos uns pobres diabos. Usando um termo grosseiro: muita cagança, muita cagança e para quê? Somos pequeníssimos. Não é que uma pessoa tenha que aceitar a sua pequenez, mas parece-me bastante triste a vaidade, a presunção, o orgulho, tudo isso com que pretendemos ou queremos mostrar que somos mais do que efectivamente somos. Não será caricato ou ridículo, mas bastante triste.

José Saramago, in ‘Jornal de Letras, Artes e Ideias (2008)’

 

Publicado por: bulimundo | Julho 4, 2017

Prelude to a Revolution…

 

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We go to prison windows and pass cigarettes, tangerines
and iodine through the bars. Anything we think
could heal a man. Assassins kiss our fingers.
Mercenaries sing us songs about unbroken light
as we mend their shirts. The bilingual murderers recite
lamentations in one tongue, and in another, young myths.
We fold and unfold our shawls, and the men squint
into the sunlight, dumb with hope. Some days they confuse
the walls of their cage with their skin. Some days,
the sky. They see their deaths in the sweat darkening
our dresses. To sweeten the hours we share scandals
from the city, how curators removed an elephant’s heart
from the museum because it began beating when anyone
in love looked at it, how the coroner found minnows
swimming in a drowned girl’s lungs. They ask if it’s true,
if slaves are chained together on ships to prevent suicide.
We say they’ll never be free. They warn us one night soon
the judge will wake to find his bed alive with wasps,
while across town the night watchman will stare stunned
at the moths circling before he realizes he’s on fire

 

Publicado por: bulimundo | Julho 4, 2017

Depeche Mode – Where’s the Revolution ..boa questão….

 

 

Publicado por: bulimundo | Junho 23, 2017

Forest Fire..

Publicado por: bulimundo | Junho 23, 2017

Karl X Johan – Flames (dir. cut)..

 

 

Publicado por: bulimundo | Junho 23, 2017

Fabuloso…Tomorrow’s Flames Are Already Burning

Publicado por: bulimundo | Junho 13, 2017

Art and twin peaks…

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Publicado por: bulimundo | Junho 13, 2017

Reviver o passado através do twin peaks..

 

 

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Junho 7, 2017

A cidade branca de 1983-Alain Tanner..

 

Filme completo..

Publicado por: bulimundo | Junho 7, 2017

Lisboa com suas casas de várias cores, …

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pintura de Maluda

Lisboa

Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores…
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar. Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos,
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.

Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
A força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.

Álvaro de Campos, in “Poemas”
Heterónimo de Fernando Pessoa

Publicado por: bulimundo | Junho 7, 2017

Uma outra Lisboa…em 1950…..

 

 

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Pode enganar-se a vida muito tempo, mas ela acaba sempre por fazer de nós aquilo para que somos feitos. Todos os velhos são um testemunho, vá, e se tantas velhices são vazias, é porque outros tantos homens o eram e o escondiam. Mas mesmo isto não tem importância. Era preciso que os homens pudessem saber que não há real, que existem mundos de contemplação… com ou sem ópio… em que tudo é vão…
– Onde se contempla o quê?
– Talvez nada mais que esta vaidade… É muito.

André Malraux, in ‘A Condição Humana’

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Publicado por: bulimundo | Maio 21, 2017

Nirvana – Old Age (Legendado) ..

 

 

Publicado por: bulimundo | Maio 21, 2017

Frases sobre a juventude….

Ser novo é não ser velho. Ser velho é ter opiniões. Ser novo é não querer saber de opiniões para nada. Ser novo é deixar os outros ir em paz para o Diabo com as opiniões que têm, boas ou más — boas ou más, que a gente nunca sabe com quais é que vai para o Diabo.

Álvaro de Campos

A juventude é uma das condições mais arrogantes que se pode experimentar. Isto porque, actualmente, faz parte da própria noção de juventude não perceber a sua extrema transitoriedade. Todos nos dirigimos para a velhice.

José Luís Peixoto

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Sente-se uma insatisfação, sobretudo dos jovens, perante um mundo que já não oferece nada, só vende!

José Saramago

 

Publicado por: bulimundo | Maio 21, 2017

De cabeça erguida …filme tocante…

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Abril 26, 2017

The Cats Will Know…

Rain will fall again
on your smooth pavement,
a light rain like
a breath or a step.
The breeze and the dawn
will flourish again
when you return,
as if beneath your step.
Between flowers and sills
the cats will know.
There will be other days,
there will be other voices.
You will smile alone.
The cats will know.
You will hear words
old and spent and useless
like costumes left over
from yesterday’s parties.
You too will make gestures.
You’ll answer with words—
face of springtime,
you too will make gestures.
The cats will know,
face of springtime;
and the light rain
and the hyacinth dawn
that wrench the heart of him
who hopes no more for you—
they are the sad smile
you smile by yourself.
There will be other days,
other voices and renewals.
Face of springtime,
we will suffer at daybreak.
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Publicado por: bulimundo | Abril 26, 2017

LA CHICA / Be able..fantástico…

Publicado por: bulimundo | Março 29, 2017

INFÂNCIA…A IDADE DE OURO….

 

 

 

Infância

Passa lento o tempo da escola e a sua angústia
com esperas, com infinitas e monótonas matérias.
Oh solidão, oh perda de tempo tão pesada…
E então, à saída, as ruas cintilam e ressoam
e nas praças as fontes jorram,
e nos jardins é tão vasto o mundo —.
E atravessar tudo isto em calções,
diferente de como os outros vão e foram —:
Oh tempo estranho, oh perda de tempo,
oh solidão.

E olhar tudo isto à distância:
homens e mulheres; homens, homens, mulheres
e crianças, tão diferentes e coloridas —;
e então uma casa, e de vez em quando um cão
e o medo surdo trocando-se pela confiança:
Oh tristeza sem sentido, oh sonho, oh medo,
Oh infindável abismo.

E então jogar: à bola e ao arco,
num jardim que manso se desvanece
e por vezes tropeçar nos crescidos,
cego e embrutecido na pressa de correr e agarrar,
mas ao entardecer, com pequenos passos tímidos,
voltar silencioso a casa, a mão agarrada com força —:
Oh compreensão cada vez mais fugaz,
Oh angústia, oh fardo!

E longas horas, junto ao grande tanque cinzento,
ajoelhar-se com um barquinho à vela;
esquecê-lo, porque com iguais
e mais lindas velas outros ainda percorrem os círculos,
e ter de pensar no pequeno rosto
pálido que no tanque parecia afogar-se — :
oh infância, oh fugazes semelhanças.
Para onde? Para onde?

Rainer Maria Rilke, in “O Livro das Imagens

 

 

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Publicado por: bulimundo | Março 29, 2017

KUBRICK / TARKOVSKY …

 

 

Publicado por: bulimundo | Março 29, 2017

O retrato desta Europa aqui..shame…

 

 

Publicado por: bulimundo | Março 29, 2017

Jennifer she said – Lloyd Cole and the Commotions …

 

 

Publicado por: bulimundo | Março 8, 2017

Women….

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Women
Women                                 Or they
   should be                              should be
      pedestals                              little horses
         moving                                 those wooden
            pedestals                              sweet
               moving                                 oldfashioned
                  to the                                    painted
                     motions                                 rocking
                        of men                                  horses
                        the gladdest things in the toyroom
                           The                                       feelingly
                        pegs                                     and then
                     of their                                 unfeelingly
                  ears                                     To be
               so familiar                            joyfully
            and dear                               ridden
         to the trusting                      rockingly
      fists                                    ridden until
   To be chafed                        the restored
egos dismount and the legs stride away
Immobile                            willing
   sweetlipped                         to be set
      sturdy                                 into motion
         and smiling                         Women
            women                                 should be
               should always                        pedestals
                  be waiting                              to men

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Março 8, 2017

Woman ,s day….

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 24, 2017

Amazing….VISIONS OFF HOPPER…

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O silêncio não existe porque é o constante rumor de uma inexistência. O que se ouve, para além do movimento da cidade, é o monótono murmúrio do nada. Apenas sombra de nada, quem nele procura um apelo ou uma resposta não os encontra ou encontra um sinal negativo. Nada diz esse murmúrio nulo, que é o eco inalterável do vazio do mundo, mas quem o ouve sente a radicalidade da sua negação como se a cada momento nos dissesse: Não há.

António Ramos Rosa, in ‘Relâmpago de Nada’

 

 

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 24, 2017

New Order – Your Silent Face [Live in Glasgow] …

 

 

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 24, 2017

the silence…

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 15, 2017

The story’s told With facts and lies I had a name But never mind …

 

 

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The war is lost

The treaty signed
I was not caught
I crossed the line

I was not caught
Though many tried
I live among you
Well disguised

I had to leave
My life behind
I dug some graves
You’ll never find

The story’s told
With facas and lies
I had a name
But never mind

Never mind
Never mind
The war was lost
The treaty signed

There’s truth that lives
And truth that dies
I don’t know which
So never mind

Your victory
Was so complete
That some among you
Thought to keep

A record of
Our little lives
The clothes we wore
Our spoons our knives

The games of luck
Our soldiers played
The stones we cut
The songs we made

Our law of peace
Which understands
A husband leads
A wife commands

And all of this
Expressions of
The Sweet Indifference
Some call Love

The High Indifference
Some call Fate
But we had Names
More intimate

Names so deep and
Names so true
They’re blood to me
They’re dust to you

There is no need
That this survive
There’s truth that lives
And truth that dies

Never mind
Never mind
I live the life
I left behind

There’s truth that lives

I could not kill
The way you kill
I could not hate
I tried I failed

You turned me in
At least you tried
You side with them
Whom you despise

This was your heart
This swarm of flies
This was once your mouth
This bowl of lies

You serve them well
I’m not surprised
You’re of their kin
You’re of their kind

Never mind
Never mind
The story’s told
With facts and lies
You own the world
So never mind

Never mind
Never mind
I live the life
I left behind

I live it full
I live it wide
Through layers of time
You can’t divide

My woman’s here
My children too
Their graves are safe
From ghosts like you

In places deep
With roots entwined
I live the life I left behind

LEONARD COHEN

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Publicado por: bulimundo | Fevereiro 15, 2017

Far from any road…nevermind….

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 8, 2017

New Order – Power, Corruption & Lies..

 

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 8, 2017

Tudo é Engano….ou quase…

josef-koudelka-02Tudo é engano: buscar o mínimo de ilusão, permanecer no nível usual, ou buscar o máximo. No primeiro caso, engana-se o bem, na medida em que se deseja tornar fácil demais a sua conquista; e o mal, na medida em que é colocado em condições de luta excessivamente desfavoráveis. No segundo caso, o bem é enganado na medida em que não se luta para alcançá-lo, nem mesmo naquilo que é terreno. No terceiro caso, engana-se o bem na medida em que a esperança é torná-lo impotente na sua máxima intensidade. Seria preferível, nisto tudo, o segundo caso, pois ainda assim engana-se o bem e não o mal; neste caso, pelo menos em aparência.

Franz Kafka, in ‘Os Aforismos de Zurau ou Reflexões no Pecado, Esperança, Sofrimento, e o Caminho da Verdade (55)’

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 3, 2017

The silence….IN OUR LIVES…

 

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 3, 2017

Disturbed – The Sound Of Silence..

 

 

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 3, 2017

A Festa do Silêncio..

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Escuto na palavra a festa do silêncio.
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se.
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas.
Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas.
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma.Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia,
o ar prolonga. A brancura é o caminho.
Surpresa e não surpresa: a simples respiração.
Relações, variações, nada mais. Nada se cria.
Vamos e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça.

Nada é inacessível no silêncio ou no poema.
É aqui a abóbada transparente, o vento principia.
No centro do dia há uma fonte de água clara.
Se digo árvore a árvore em mim respira.
Vivo na delícia nua da inocência aberta.

António Ramos Rosa, in “Volante Verde”

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