Publicado por: bulimundo | Outubro 19, 2016

Terra – 24….

António, é preciso partir!
o moleiro não fia,
a terra é estéril,
a arca vazia,
o gado minga e se fina!
António, é preciso partir!
A enxada sem uso,
o arado enferruja,
o menino quere o pão; a tua casa é fria!
É preciso emigrar!
O vento anda como doido – levará o azeite;
a chuva desaba noite e dia – inundará tudo;
e o lar vazio,
o gado definhando sem pasto,
a morte e o frio por todo o lado,
só a morte, a fome e o frio por todo o lado, António!
É preciso embarcar!
Badalão! Badalão! – o sino
já entoa a despedida.
Os juros crescem;
o dinheiro e o rico não têm coração.
E as décimas, António?
Ninguém perdoa – que mais para vender?
Foi-se o cordão,
foram-se os brincos,
foi-se tudo!
A fome espia o teu lar.
Para quê lutar com a secura da terra,
com a indiferença do céu,
com tudo, com a morte, com a fome, coma a terra,
com tudo!
Árida, árida a vida!
António, é preciso partir!
António partiu.
E em casa, ficou tudo medonho, desamparado, vazio.

Fernando Namora, in ‘Terra’

Publicado por: bulimundo | Outubro 19, 2016

Bob Dylan – the times they are a changin´..grande vídeo..

Publicado por: bulimundo | Outubro 19, 2016

Convergências político cinéfilas…


Publicado por: bulimundo | Outubro 19, 2016

Our society in this days…are we human yet or not??


Publicado por: bulimundo | Outubro 19, 2016

Voltar ás terras….grande doc…o Portugal real..








Publicado por: bulimundo | Setembro 28, 2016

The Good-Morrow ……


I wonder, by my troth, what thou and I
Did, till we loved? Were we not weaned till then?
But sucked on country pleasures, childishly?
Or snorted we in the Seven Sleepers’ den?
’Twas so; but this, all pleasures fancies be.
If ever any beauty I did see,
Which I desired, and got, ’twas but a dream of thee.
And now good-morrow to our waking souls,
Which watch not one another out of fear;
For love, all love of other sights controls,
And makes one little room an everywhere.
Let sea-discoverers to new worlds have gone,
Let maps to other, worlds on worlds have shown,
Let us possess one world, each hath one, and is one.
My face in thine eye, thine in mine appears,
And true plain hearts do in the faces rest;
Where can we find two better hemispheres,
Without sharp north, without declining west?
Whatever dies, was not mixed equally;
If our two loves be one, or, thou and I
Love so alike, that none do slacken, none can die.
 By Jonh Donne
Source: The Norton Anthology of Poetry Third Edition (1983)




Publicado por: bulimundo | Setembro 28, 2016

Leonard Cohen – A Thousand Kisses Deep..WITH MÓNICA BELLUCI…

Publicado por: bulimundo | Setembro 14, 2016

O retorno à ano…




Publicado por: bulimundo | Setembro 14, 2016

Lost Memories..magnifico short film..



Publicado por: bulimundo | Setembro 14, 2016

Are They Shadows????


foto by bulimunda

Are they shadows that we see?
And can shadows pleasure give?
Pleasures only shadows be
Cast by bodies we conceive
And are made the things we deem
In those figures which they seem.
But these pleasures vanish fast
Which by shadows are expressed;
Pleasures are not, if they last;
In their passing is their best.
Glory is most bright and gay
In a flash, and so away.
Feed apace then, greedy eyes,
On the wonder you behold;
Take it sudden as it flies,
Though you take it not to hold.
When your eyes have done their part,
Thought must length it in the heart.
By Samuel Daniel
Publicado por: bulimundo | Setembro 14, 2016

Nick Cave & The Bad Seeds – ‘I Need You’…


Publicado por: bulimundo | Julho 26, 2016


Nada, na história, serve para ensinar aos homens a possibilidade de viverem em paz. É o ensino oposto que dela se destaca – e se faz acreditar.

Paul Valéry



Talvez a maior lição da história seja que ninguém aprendeu as lições da história.

Aldous Huxley






Publicado por: bulimundo | Julho 14, 2016

When You Are Old…

When You Are Ol
When you are old and grey and full of sleep,
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;
How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true,
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face;
And bending down beside the glowing bars,
Murmur, a little sadly, how Love fled
And paced upon the mountains overhead
And hid his face amid a crowd of stars.



Publicado por: bulimundo | Julho 14, 2016

Boas férias…



Publicado por: bulimundo | Julho 14, 2016

Editors – Life Is A Fear…

Publicado por: bulimundo | Julho 4, 2016

A Nostalgia da Europa..nunca este texto fez tanto sentido…


Na Idade Média, a unidade europeia repousava na religião comum. Nos Tempos Modernos, ela cedeu o lugar à cultura (à criação cultural) que se tornou na realização dos valores supremos pelos quais os Europeus se reconhecem, se definem, se identificam. Ora, hoje, a cultura cede, por sua vez, o lugar.
Mas, a quê e a quem? Qual é o domínio onde se realizaram valores supremos susceptíveis de unir a Europa? As conquistas técnicas? O mercado? A política com o ideal de democracia, com o princípio da tolerância? Mas, essa tolerância, que já não protege nenhuma criação rica nem nenhum pensamento forte, não se tornará oca e inútil? Ou então, será que podemos entender a demissão da cultura como uma espécie de libertação à qual nos devemos abandonar com euforia? Não sei. A única coisa que julgo saber é que a cultura já cedeu o seu lugar. Assim, a imagem da identidade europeia afasta-se do passado. Europeu: aquele que tem a nostalgia da Europa.

Milan Kundera, in “A Arte do Romance”




Publicado por: bulimundo | Julho 4, 2016

As Palavras não Servem para Nada ….


Foi quando aprendi que as palavras não servem para nada; que as palavras nunca se adaptam nem mesmo ao que elas querem dizer. Quando ele nasceu compreendi que a maternidade foi inventada por alguém que tinha de arranjar uma palavra para isso, porque as que tinham os filhos não queriam saber se havia ou não uma palavra para isso. Compreendi que o medo foi inventado por alguém que nunca tinha tido medo; o orgulho, por quem nunca tinha sentido orgulho.

William Faulkner, in ‘Na Minha Morte’



Publicado por: bulimundo | Julho 4, 2016

Tarkovsky’s Mirror Set to Arvo Pärt’s Mirror in the Mirror

Publicado por: bulimundo | Junho 17, 2016

The Peace of Wild Things…


When despair for the world grows in me
and I wake in the night at the least sound
in fear of what my life and my children’s lives may be,
I go and lie down where the wood drake
rests in his beauty on the water, and the great heron feeds.
I come into the peace of wild things
who do not tax their lives with forethought
of grief. I come into the presence of still water.
And I feel above me the day-blind stars
waiting with their light. For a time
I rest in the grace of the world, and am free.
By Wendel Berry



Publicado por: bulimundo | Junho 17, 2016

Rolling Stones – Wild Horses ..



Publicado por: bulimundo | Maio 30, 2016

Sean Riley & The Slowriders – Everything Changes ..maybe…



Publicado por: bulimundo | Maio 30, 2016

A era do quanto vales ..




Nós estamos a assistir ao que eu chamaria a morte do cidadão e, no seu lugar, o que temos e, cada vez mais, é o cliente. Agora já ninguém nos pergunta o que é que pensamos, agora perguntam-nos qual a marca do carro, de fato, de gravata que temos, quanto ganhamos…

José Saramago





Publicado por: bulimundo | Maio 23, 2016

Don’t You Wonder, Sometimes?


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After dark, stars glisten like ice, and the distance they span
Hides something elemental. Not God, exactly. More like
Some thin-hipped glittering Bowie-being—a Starman
Or cosmic ace hovering, swaying, aching to make us see.
And what would we do, you and I, if we could know for sure
That someone was there squinting through the dust,
Saying nothing is lost, that everything lives on waiting only
To be wanted back badly enough? Would you go then,
Even for a few nights, into that other life where you
And that first she loved, blind to the future once, and happy?
Would I put on my coat and return to the kitchen where my
Mother and father sit waiting, dinner keeping warm on the stove?
Bowie will never die. Nothing will come for him in his sleep
Or charging through his veins. And he’ll never grow old,
Just like the woman you lost, who will always be dark-haired
And flush-faced, running toward an electronic screen
That clocks the minutes, the miles left to go. Just like the life
In which I’m forever a child looking out my window at the night sky
Thinking one day I’ll touch the world with bare hands
Even if it burns.
Time never stops, but does it end? And how many lives
Before take-off, before we find ourselves
Beyond ourselves, all glam-glow, all twinkle and gold?…….
The future isn’t what it used to be. Even Bowie thirsts
For something good and cold. Jets blink across the sky
Like migratory souls……..



Publicado por: bulimundo | Maio 9, 2016

Mandar é Respirar…



Mandar é respirar, não é desta opinião? E até os mais deserdados chegam a respirar. O último na escala social tem ainda o cônjuge ou o filho. Se é celibatário, um cão. O essencial, em resumo, é uma pessoa poder zangar-se sem que outrem tenha o direito de responder. «Ao pai não se responde», conhece a fórmula? Em certo sentido, ela é singular. A quem se responderia neste mundo senão a quem se ama? Por outro lado, ela é convincente. É preciso que alguém tenha a última palavra. Senão, a toda a razão pode opor-se outra: nunca mais se acabava. A força, pelo contrário, resolve tudo. Levou tempo, mas conseguimos compreendê-lo. Por exemplo, deve tê-lo notado, a nossa velha Europa filosofa, enfim, da melhor maneira. Já não dizemos, como nos tempos ingénuos: «Eu penso assim. Quais são as suas objecções?» Tornámo-nos lúcidos. Substituímos o diálogo pelo comunicado.

Albert Camus, in “A Queda”

Publicado por: bulimundo | Maio 9, 2016

First Breath After Coma – The Escape

Publicado por: bulimundo | Maio 2, 2016

When I have Fears That I May Cease to Be…


When I have fears that I may cease to be
   Before my pen has gleaned my teeming brain,
Before high-pilèd books, in charactery,
   Hold like rich garners the full ripened grain;
When I behold, upon the night’s starred face,
   Huge cloudy symbols of a high romance,
And think that I may never live to trace
   Their shadows with the magic hand of chance;
And when I feel, fair creature of an hour,
   That I shall never look upon thee more,
Never have relish in the faery power
   Of unreflecting love—then on the shore
Of the wide world I stand alone, and think
Till love and fame to nothingness do sink.


John Keats

Publicado por: bulimundo | Maio 2, 2016

Editors – Life Is A Fear ( Lightship95 Series)




Publicado por: bulimundo | Maio 2, 2016

vimeo…A Small Escape

Publicado por: bulimundo | Abril 17, 2016

A Psalm of Life……





By Henry Wadsworth Longfellow

What The Heart Of The Young Man Said To The Psalmist.

Tell me not, in mournful numbers,
   Life is but an empty dream!
For the soul is dead that slumbers,
   And things are not what they seem.
Life is real! Life is earnest!
   And the grave is not its goal;
Dust thou art, to dust returnest,
   Was not spoken of the soul.
Not enjoyment, and not sorrow,
   Is our destined end or way;
But to act, that each to-morrow
   Find us farther than to-day.
Art is long, and Time is fleeting,
   And our hearts, though stout and brave,
Still, like muffled drums, are beating
   Funeral marches to the grave.
In the world’s broad field of battle,
   In the bivouac of Life,
Be not like dumb, driven cattle!
   Be a hero in the strife!
Trust no Future, howe’er pleasant!
   Let the dead Past bury its dead!
Act,— act in the living Present!
   Heart within, and God o’erhead!
Lives of great men all remind us
   We can make our lives sublime,
And, departing, leave behind us
   Footprints on the sands of time;
Footprints, that perhaps another,
   Sailing o’er life’s solemn main,
A forlorn and shipwrecked brother,
   Seeing, shall take heart again.
Let us, then, be up and doing,
   With a heart for any fate;
Still achieving, still pursuing,
   Learn to labor and to wait.


Publicado por: bulimundo | Abril 17, 2016

Beirut – No No No And Gibraltar….


Publicado por: bulimundo | Abril 17, 2016

Akira Kurosawa…composing and geometry…




Publicado por: bulimundo | Abril 8, 2016

Fireflies in the Garden….



Here come real stars to fill the upper skies,
And here on earth come emulating flies,
That though they never equal stars in size,
(And they were never really stars at heart)
Achieve at times a very star-like start.
Only, of course, they can’t sustain the part.


By Robert Frost

Publicado por: bulimundo | Abril 8, 2016

Iggy Pop | GARDENIA……


By Stephen Crane

I saw a man pursuing the horizon;
Round and round they sped.
I was disturbed at this;   
I accosted the man.
“It is futile,” I said,
“You can never —”
“You lie,” he cried,   
And ran on.


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