Publicado por: bulimundo | Fevereiro 13, 2016

Rain..rain..rain..keep falling…Cai a Chuva Abandonada..

 

Cai a chuva abandonada
à minha melancolia,
a melancolia do nada
que é tudo o que em nós se cria.

Memória estranha de outrora
não a sei e está presente.
Em mim por si se demora
e nada em mim a consente

do que me fala à razão.
Mas a razão é limite
do que tem ocasião

de negar o que me fite
de onde é a minha mansão
que é mansão no sem-limite.
Ao longe e ao alto é que estou
e só daí é que sou.

Vergílio Ferreira, in ‘Conta-Corrente 1’

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 9, 2016

Tarkovsky..visual poetry..

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 8, 2016

Buli olhares….

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Roads

By Edward Thomas

I love roads:
The goddesses that dwell
Far along invisible
Are my favorite gods.
Roads go on
While we forget, and are
Forgotten like a star
That shoots and is gone.
On this earth ’tis sure
We men have not made             
Anything that doth fade
So soon, so long endure:
The hill road wet with rain
In the sun would not gleam
Like a winding stream
If we trod it not again.
They are lonely
While we sleep, lonelier
For lack of the traveller
Who is now a dream only. 
                
From dawn’s twilight
And all the clouds like sheep
On the mountains of sleep
They wind into the night.
The next turn may reveal
Heaven: upon the crest
The close pine clump, at rest
Ancl black, may Hell conceal.
Often footsore, never
Yet of the road I weary,                  
Though long and steep and dreary,
As it winds on for ever.
Helen of the roads,
The mountain ways of Wales
And the Mabinogion tales,
Is one of the true gods,
Abiding in the trees,
The threes and fours so wise,
The larger companies,
That by the roadside be,
And beneath the rafter
Else uninhabited
Excepting by the dead;
And it is her laughter
At morn and night I hear
When the thrush cock sings
Bright irrelevant things,
And when the chanticleer
Calls back to their own night
Troops that make loneliness
With their light footsteps’ press,
As Helen’s own are light.
Now all roads lead to France
And heavy is the tread
Of the living; but the dead
Returning lightly dance:
Whatever the road bring
To me or take from me,
They keep me company
With their pattering,
Crowding the solitude
Of the loops over the downs,
Hushing the roar of towns
and their brief multitude.

 

 

 

 

 

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 8, 2016

Watch 34 of Quentin Tarantino’s Visual Reference…

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 1, 2016

Tom Waits – “Hell Broke Luce” ….

Publicado por: bulimundo | Fevereiro 1, 2016

O Amolecimento pela Sociedade de Consumo…

 

 

 

Nos países subdesenvolvidos, a arte (literatura, pintura, escultura) entra quase sempre em conflito com as classes possidentes, com o poder instituído, com as normas de vida estabelecidas. Em revolta aberta, o artista, originário por via de regra da média e da pequena burguesia ou mais raramente das classes proletárias, contesta o statu quo, propõe soluções revolucionárias ou, quando estas não podem sequer divisar-se, limita-se a derrubar (ou a tentar fazê-lo pela crítica, violenta ou irónica) o baluarte dos preconceitos, das defesas que os beneficiários do sistema de produção ergueram contra as aspirações da maioria. Nas sociedades industriais mais adiantadas, o artista pode permanecer numa atitude idêntica de inconformismo; porém, os resultados da sua actividade de criação e reflexão tornam-se matéria vendável e, nalguns casos, matéria integrável.
O consumo do objecto artístico, seja ele o livro, o quadro ou o disco, quando feito sob uma tutela de opinião, que os meios de comunicação de massa, em escala larguíssima , exercem, torna-se, senão totalmente inócuo, pelo menos parcialmente esvaziado do seu conteúdo crítico. Despotencializa-se. Amolece.

Publicado por: bulimundo | Janeiro 30, 2016

Sou Eu..

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Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.

Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim….

Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.

Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo…

Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.

Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.

Sou eu mesmo, que remédio! …

Álvaro de Campos, in “Poemas”

 

Publicado por: bulimundo | Janeiro 30, 2016

Mr. Robot – Where is my mind? ….

Publicado por: bulimundo | Janeiro 30, 2016

Muitos Meios e Saber de pouco Servem..TRUE…

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Vivemos num tempo que se sente fabulosamente capaz de realizar, porém não sabe o que realizar. Domina todas as coisas, mas não é dono de si mesmo. Sente-se perdido na sua própria abundância. Com mais meios, mais saber, mais técnica do que nunca, afinal de contas o mundo actual vai como o mais infeliz que tenha havido: puramente à deriva.

Ortega y Gasset, in “A Rebelião das Massas”

Publicado por: bulimundo | Janeiro 25, 2016

Eddie Vedder & Johnny Depp “Society”…

 

 

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Os ideais da democracia e da liberdade chocam com o facto brutal da sugestibilidade humana. Um quinto de todos os eleitores pode ser hipnotizado quase num abrir e fechar de olhos, um sétimo pode ser aliviado das suas dores mediante injecções de água, um quarto responderá de modo pronto e entusiástico à hipnopédia. A todas estas minorias demasiado dispostas a cooperar, devemos adicionar as maiorias de reacções menos rápidas, cuja sugestibilidade mais moderada pode ser explorada por não importa que manipulador ciente do seu ofício, pronto a consagrar a isso o tempo e os esforços necessários……A vantagem de uma sociedade grande e complexa como a nossa é permitir à variedade de seres humanos expressar-se de muitas maneiras; não precisa de haver uma adaptação intensa, como a que encontramos em pequenas sociedades primitivas. Mesmo assim, em toda a sociedade há sempre um impulso para a conformidade, imposto de fora pela lei e pela tradição, e que os indivíduos impõem sobre si mesmos, tentando imitar o que a sociedade considera o tipo ideal. ……Que todos os homens são iguais é uma proposição à qual, em tempos normais, nenhum ser humano sensato deu, alguma vez, o seu assentimento. Um homem que tem de se submeter a uma operação perigosa não age sob a presunção de que tão bom é um médico como outro qualquer. Os editores não imprimem todas as obras que lhes chegam às mãos. E quando são precisos funcionários públicos, até os governos mais democráticos fazem uma selecção cuidadosa entre os seus súbditos teoricamente iguais.
Em tempos normais, portanto, estamos perfeitamente certos de que os Homens não são iguais. Mas quando, num país democrático, pensamos ou agimos politicamente, não estamos menos certos de que os Homens são iguais. Ou, pelo menos – o que na prática vem ser a mesma coisa – procedemos como se estivéssemos certos da igualdade dos Homens.

 

 

Publicado por: bulimundo | Janeiro 18, 2016

CRISE CHINESA EXPLICADA EM MENOS DE 90 SEGUNDOS…

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Publicado por: bulimundo | Janeiro 18, 2016

Suede – No Tomorrow …

Publicado por: bulimundo | Janeiro 13, 2016

DAVID BOWIE..LIFE PHOTOS…

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Publicado por: bulimundo | Janeiro 11, 2016

A space odissey…to the star…dust….

 

Publicado por: bulimundo | Janeiro 11, 2016

The chamaleon many faces…

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Publicado por: bulimundo | Janeiro 11, 2016

Cracked Actor: A Film About David Bowie …

 

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Janeiro 11, 2016

RARIDADES DE DAVID BOWIE..The Speed of Life

 

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Janeiro 11, 2016

Memories off The CHAMALEON…SO LONG ZIGGY BOWIE..

 

 

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Janeiro 11, 2016

RIP…Lazarus..David Bowie …

Publicado por: bulimundo | Janeiro 10, 2016

When You Are Old…

 

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When you are old and grey and full of sleep,
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;
How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true,
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face;
And bending down beside the glowing bars,
Murmur, a little sadly, how Love fled
And paced upon the mountains overhead
And hid his face amid a crowd of stars.

 

William Butler Yeats

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Publicado por: bulimundo | Janeiro 10, 2016

David Bowie – Blackstar ..the chamaleon is back…

 

 

Publicado por: bulimundo | Janeiro 4, 2016

Beginning..again…

 

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The moon drops one or two feathers into the field.   
The dark wheat listens.
Be still.
Now.
There they are, the moon’s young, trying
Their wings.
Between trees, a slender woman lifts up the lovely shadow
Of her face, and now she steps into the air, now she is gone
Wholly, into the air.
I stand alone by an elder tree, I do not dare breathe
Or move.
I listen.
The wheat leans back toward its own darkness,
And I lean toward mine.
James Wright
Publicado por: bulimundo | Janeiro 4, 2016

2016….Begin The Beguine (1946) – Frank Sinatra …

 

 

Publicado por: bulimundo | Dezembro 23, 2015

The Night Before Christmas” Short Film

 

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Dezembro 23, 2015

Human Nature-White Christmas

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Dezembro 22, 2015

2015 Year in Review..passou rápido..muito rápido…

Publicado por: bulimundo | Dezembro 22, 2015

….A Infinita….

 

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Vês estas mãos? Mediram
a terra, separaram
os minerais e os cereais,
fizeram a paz e a guerra,
derrubaram as distâncias
de todos os mares e rios
e, no entanto,
quando te percorrem
a ti, pequena,
grão de trigo, calhandra,
não conseguem abarcar-te,
fatigam-se ao agarrar
as pombas gémeas
que repousam ou voam no teu peito,
percorrem as distâncias das tuas pernas,
enrolam-se na luz da tua cintura.
Para mim tu és tesouro mais rico
de imensidade do que o mar e seus cachos
e és branca e azul e extensa como
a terra nas vindimas.
Nesse território,
desde os pés à fronte,
andando, andando, andando,
passarei a vida.

Pablo Neruda, in “Os Versos do Capitão”
// Consultar versos e eventuais rimas

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Dezembro 21, 2015

A minha canção de natal de sempre…

Publicado por: bulimundo | Dezembro 21, 2015

Christmas Trees..

Typhoon survivor decorates Christmas tree amid trubble of destroyed houses in Tacloban

(A Christmas Circular Letter)

The city had withdrawn into itself
And left at last the country to the country;
When between whirls of snow not come to lie
And whirls of foliage not yet laid, there drove
A stranger to our yard, who looked the city,
Yet did in country fashion in that there
He sat and waited till he drew us out
A-buttoning coats to ask him who he was.
He proved to be the city come again
To look for something it had left behind
And could not do without and keep its Christmas.
He asked if I would sell my Christmas trees;
My woods—the young fir balsams like a place
Where houses all are churches and have spires.
I hadn’t thought of them as Christmas Trees.
I doubt if I was tempted for a moment
To sell them off their feet to go in cars
And leave the slope behind the house all bare,
Where the sun shines now no warmer than the moon.
I’d hate to have them know it if I was.
Yet more I’d hate to hold my trees except
As others hold theirs or refuse for them,
Beyond the time of profitable growth,
The trial by market everything must come to.
I dallied so much with the thought of selling.
Then whether from mistaken courtesy
And fear of seeming short of speech, or whether
From hope of hearing good of what was mine, I said,
“There aren’t enough to be worth while.”
“I could soon tell how many they would cut,
You let me look them over.”
                                                     “You could look.
But don’t expect I’m going to let you have them.”
Pasture they spring in, some in clumps too close
That lop each other of boughs, but not a few
Quite solitary and having equal boughs
All round and round. The latter he nodded “Yes” to,
Or paused to say beneath some lovelier one,
With a buyer’s moderation, “That would do.”
I thought so too, but wasn’t there to say so.
We climbed the pasture on the south, crossed over,
And came down on the north. He said, “A thousand.”
“A thousand Christmas trees!—at what apiece?”
He felt some need of softening that to me:
“A thousand trees would come to thirty dollars.”
Then I was certain I had never meant
To let him have them. Never show surprise!
But thirty dollars seemed so small beside
The extent of pasture I should strip, three cents
(For that was all they figured out apiece),
Three cents so small beside the dollar friends
I should be writing to within the hour
Would pay in cities for good trees like those,
Regular vestry-trees whole Sunday Schools
Could hang enough on to pick off enough.
A thousand Christmas trees I didn’t know I had!
Worth three cents more to give away than sell,
As may be shown by a simple calculation.
Too bad I couldn’t lay one in a letter.
I can’t help wishing I could send you one,
In wishing you herewith a Merry Christmas.

By Robert Frost

 

 

Publicado por: bulimundo | Dezembro 21, 2015

Bom natal a todos…

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Publicado por: bulimundo | Dezembro 9, 2015

Gritar..bem alto…

 

 

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Aqui a acção simplifica-se
Derrubei a paisagem inexplicável da mentira
Derrubei os gestos sem luz e os dias impotentes
Lancei por terra os propósitos lidos e ouvidos
Ponho-me a gritar
Todos falavam demasiado baixo falavam e
                                                             [escreviam
Demasiado baixo

Fiz retroceder os limites do grito

A acção simplifica-se

Porque eu arrebato à morte essa visão da vida
Que lhe destinava um lugar perante mim

Com um grito

Tantas coisas desapareceram
Que nunca mais voltará a desaparecer
Nada do que merece viver

Estou perfeitamente seguro agora que o Verão
Canta debaixo das portas frias
Sob armaduras opostas
Ardem no meu coração as estações
As estações dos homens os seus astros
Trémulos de tão semelhantes serem

E o meu grito nu sobe um degrau
Da escadaria imensa da alegria

E esse fogo nu que me pesa
Torna a minha força suave e dura

Eis aqui a amadurecer um fruto
Ardendo de frio orvalhado de suor
Eis aqui o lugar generoso
Onde só dormem os que sonham
O tempo está bom gritemos com mais força
Para que os sonhadores durmam melhor
Envoltos em palavras
Que põem o bom tempo nos meus olhos

Estou seguro de que a todo o momento
Filha e avó dos meus amores
Da minha esperança
A felicidade jorra do meu grito

Para a mais alta busca
Um grito de que o meu seja o eco.

Paul Eluard, in “Algumas das Palavras”

Publicado por: bulimundo | Dezembro 7, 2015

Rodrigo Leão..Rosa…

Publicado por: bulimundo | Dezembro 7, 2015

Buli olhares..solidão …..

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Estás Só…

Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge.
Mas finge sem fingimento.
Nada ‘speres que em ti já não exista,
Cada um consigo é triste.
Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas,
Sorte se a sorte é dada.
Ricardo Reis, in “Odes”
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Publicado por: bulimundo | Dezembro 7, 2015

Rodrigo Leão – Vida Tão Estranha…. Photos by Rui Palha…

Publicado por: bulimundo | Dezembro 6, 2015

Tarkovsky’s Mirror ..by Arvo Pärt’s

Mirror

I am silver and exact. I have no preconceptions.
Whatever I see I swallow immediately
Just as it is, unmisted by love or dislike.
I am not cruel, only truthful ‚
The eye of a little god, four-cornered.
Most of the time I meditate on the opposite wall.
It is pink, with speckles. I have looked at it so long
I think it is part of my heart. But it flickers.
Faces and darkness separate us over and over.

Now I am a lake. A woman bends over me,
Searching my reaches for what she really is.
Then she turns to those liars, the candles or the moon.
I see her back, and reflect it faithfully.
She rewards me with tears and an agitation of hands.
I am important to her. She comes and goes.
Each morning it is her face that replaces the darkness.
In me she has drowned a young girl, and in me an old woman
Rises toward her day after day, like a terrible fish

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