Publicado por: bulimundo | Dezembro 8, 2016

…Nada é Certo …nada…mesmo nada..

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Ninguém avança pela vida em linha recta. Muitas vezes, não paramos nas estações indicadas no horário. Por vezes, saímos dos trilhos. Por vezes, perdemo-nos, ou levantamos voo e desaparecemos como pó. As viagens mais incríveis fazem-se às vezes sem se sair do mesmo lugar. No espaço de alguns minutos, certos indivíduos vivem aquilo que um mortal comum levaria toda a sua vida a viver. Alguns gastam um sem número de vidas no decurso da sua estadia cá em baixo. Alguns crescem como cogumelos, enquanto outros ficam inelutávelmente para trás, atolados no caminho. Aquilo que, momento a momento, se passa na vida de um homem é para sempre insondável. É absolutamente impossível que alguém conte a história toda, por muito limitado que seja o fragmento da nossa vida que decidamos tratar.

Henry Miller, in “O Mundo do Sexo”

Publicado por: bulimundo | Dezembro 8, 2016

Allen Halloween – Bandido Velho (videoclip quase oficial) ..

 

Publicado por: bulimundo | Novembro 23, 2016

A Vida Vazia da Cidade….

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Instalámo-nos, portanto, na cidade. Aí toda a vida é suportável para as pessoas infelizes. Um homem pode viver cem anos na cidade, sem dar por que morreu e apodreceu há muito. Falta tempo para o exame de consciência. As ocupações, os negócios, os contactos sociais, a saúde, as doenças e a educação das crianças preenchem-nos o tempo. Tão depressa se tem de receber visitas e retribuí-las, como se tem de ir a um espectáculo, a uma exposição ou a uma conferência.
De facto, na cidade aparece a todo o momento uma celebridade, duas ou três ao mesmo tempo que não se pode deixar de perder. Tão depressa se tem de seguir um regime, tratar disto ou daquilo, como se tem de falar com os professores, os explicadores, as governantas. A vida torna-se assim completamente vazia.

Leon Tolstoi, in “Sonata a Kreutzer”

 

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Novembro 20, 2016

OUTONO IMPRESSIONISTA…

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Publicado por: bulimundo | Novembro 20, 2016

OUTONO….

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Outono

O outono vem vindo, chegam melancolias,
cavam fundo no corpo,
instalam-se nas fendas; às vezes
por aí ficam com a chuva
apodrecendo;
ou então deixam marcas; as putas,
difíceis de apagar, de tão negras,
duras. Eugénio de Andrade, in ‘O Outro Nome da Terra’

 

 

Publicado por: bulimundo | Novembro 20, 2016

Trumpadas…

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Publicado por: bulimundo | Outubro 26, 2016

Algumas Coisas…

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foto by bulimunda

A morte e a vida morrem
e sob a sua eternidade fica
só a memória do esquecimento de tudo;
também o silêncio de aquele que fala se calará.

Quem fala de estas
coisas e de falar de elas
foge para o puro esquecimento
fora da cabeça e de si.

O que existe falta
sob a eternidade;
saber é esquecer, e
esta é a sabedoria e o esquecimento.

Manuel António Pina, in “Aquele que Quer Morrer”

 

 

Publicado por: bulimundo | Outubro 26, 2016

Duplex Marianne Faithfull..

 

 

Publicado por: bulimundo | Outubro 19, 2016

Terra – 24….

António, é preciso partir!
o moleiro não fia,
a terra é estéril,
a arca vazia,
o gado minga e se fina!
António, é preciso partir!
A enxada sem uso,
o arado enferruja,
o menino quere o pão; a tua casa é fria!
É preciso emigrar!
O vento anda como doido – levará o azeite;
a chuva desaba noite e dia – inundará tudo;
e o lar vazio,
o gado definhando sem pasto,
a morte e o frio por todo o lado,
só a morte, a fome e o frio por todo o lado, António!
É preciso embarcar!
Badalão! Badalão! – o sino
já entoa a despedida.
Os juros crescem;
o dinheiro e o rico não têm coração.
E as décimas, António?
Ninguém perdoa – que mais para vender?
Foi-se o cordão,
foram-se os brincos,
foi-se tudo!
A fome espia o teu lar.
Para quê lutar com a secura da terra,
com a indiferença do céu,
com tudo, com a morte, com a fome, coma a terra,
com tudo!
Árida, árida a vida!
António, é preciso partir!
António partiu.
E em casa, ficou tudo medonho, desamparado, vazio.

Fernando Namora, in ‘Terra’

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Publicado por: bulimundo | Outubro 19, 2016

Bob Dylan – the times they are a changin´..grande vídeo..

Publicado por: bulimundo | Outubro 19, 2016

Convergências político cinéfilas…

 

Publicado por: bulimundo | Outubro 19, 2016

Our society in this days…are we human yet or not??

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Publicado por: bulimundo | Outubro 19, 2016

Voltar ás terras….grande doc…o Portugal real..

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Publicado por: bulimundo | Setembro 28, 2016

The Good-Morrow ……

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I wonder, by my troth, what thou and I
Did, till we loved? Were we not weaned till then?
But sucked on country pleasures, childishly?
Or snorted we in the Seven Sleepers’ den?
’Twas so; but this, all pleasures fancies be.
If ever any beauty I did see,
Which I desired, and got, ’twas but a dream of thee.
And now good-morrow to our waking souls,
Which watch not one another out of fear;
For love, all love of other sights controls,
And makes one little room an everywhere.
Let sea-discoverers to new worlds have gone,
Let maps to other, worlds on worlds have shown,
Let us possess one world, each hath one, and is one.
My face in thine eye, thine in mine appears,
And true plain hearts do in the faces rest;
Where can we find two better hemispheres,
Without sharp north, without declining west?
Whatever dies, was not mixed equally;
If our two loves be one, or, thou and I
Love so alike, that none do slacken, none can die.
 By Jonh Donne
Source: The Norton Anthology of Poetry Third Edition (1983)

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Setembro 28, 2016

Leonard Cohen – A Thousand Kisses Deep..WITH MÓNICA BELLUCI…

Publicado por: bulimundo | Setembro 14, 2016

O retorno à escola..bom ano…

 

 

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Publicado por: bulimundo | Setembro 14, 2016

Lost Memories..magnifico short film..

 

 

Publicado por: bulimundo | Setembro 14, 2016

Are They Shadows????

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foto by bulimunda

Are they shadows that we see?
And can shadows pleasure give?
Pleasures only shadows be
Cast by bodies we conceive
And are made the things we deem
In those figures which they seem.
But these pleasures vanish fast
Which by shadows are expressed;
Pleasures are not, if they last;
In their passing is their best.
Glory is most bright and gay
In a flash, and so away.
Feed apace then, greedy eyes,
On the wonder you behold;
Take it sudden as it flies,
Though you take it not to hold.
When your eyes have done their part,
Thought must length it in the heart.
By Samuel Daniel
Publicado por: bulimundo | Setembro 14, 2016

Nick Cave & The Bad Seeds – ‘I Need You’…

 

Publicado por: bulimundo | Julho 26, 2016

FRASES PARA REFLECTIR NAS FÉRIAS…

Nada, na história, serve para ensinar aos homens a possibilidade de viverem em paz. É o ensino oposto que dela se destaca – e se faz acreditar.

Paul Valéry

 

 

Talvez a maior lição da história seja que ninguém aprendeu as lições da história.

Aldous Huxley

 

 

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Julho 14, 2016

When You Are Old…

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When You Are Ol
When you are old and grey and full of sleep,
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;
How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true,
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face;
And bending down beside the glowing bars,
Murmur, a little sadly, how Love fled
And paced upon the mountains overhead
And hid his face amid a crowd of stars.

 

 

Publicado por: bulimundo | Julho 14, 2016

Boas férias…

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Publicado por: bulimundo | Julho 14, 2016

Editors – Life Is A Fear…

Publicado por: bulimundo | Julho 4, 2016

A Nostalgia da Europa..nunca este texto fez tanto sentido…

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Na Idade Média, a unidade europeia repousava na religião comum. Nos Tempos Modernos, ela cedeu o lugar à cultura (à criação cultural) que se tornou na realização dos valores supremos pelos quais os Europeus se reconhecem, se definem, se identificam. Ora, hoje, a cultura cede, por sua vez, o lugar.
Mas, a quê e a quem? Qual é o domínio onde se realizaram valores supremos susceptíveis de unir a Europa? As conquistas técnicas? O mercado? A política com o ideal de democracia, com o princípio da tolerância? Mas, essa tolerância, que já não protege nenhuma criação rica nem nenhum pensamento forte, não se tornará oca e inútil? Ou então, será que podemos entender a demissão da cultura como uma espécie de libertação à qual nos devemos abandonar com euforia? Não sei. A única coisa que julgo saber é que a cultura já cedeu o seu lugar. Assim, a imagem da identidade europeia afasta-se do passado. Europeu: aquele que tem a nostalgia da Europa.

Milan Kundera, in “A Arte do Romance”

 

 

 

Publicado por: bulimundo | Julho 4, 2016

As Palavras não Servem para Nada ….

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Foi quando aprendi que as palavras não servem para nada; que as palavras nunca se adaptam nem mesmo ao que elas querem dizer. Quando ele nasceu compreendi que a maternidade foi inventada por alguém que tinha de arranjar uma palavra para isso, porque as que tinham os filhos não queriam saber se havia ou não uma palavra para isso. Compreendi que o medo foi inventado por alguém que nunca tinha tido medo; o orgulho, por quem nunca tinha sentido orgulho.

William Faulkner, in ‘Na Minha Morte’

 

 

Publicado por: bulimundo | Julho 4, 2016

Tarkovsky’s Mirror Set to Arvo Pärt’s Mirror in the Mirror

Publicado por: bulimundo | Junho 17, 2016

The Peace of Wild Things…

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When despair for the world grows in me
and I wake in the night at the least sound
in fear of what my life and my children’s lives may be,
I go and lie down where the wood drake
rests in his beauty on the water, and the great heron feeds.
I come into the peace of wild things
who do not tax their lives with forethought
of grief. I come into the presence of still water.
And I feel above me the day-blind stars
waiting with their light. For a time
I rest in the grace of the world, and am free.
By Wendel Berry

 

 

Publicado por: bulimundo | Junho 17, 2016

Rolling Stones – Wild Horses ..

 

 

Publicado por: bulimundo | Maio 30, 2016

Sean Riley & The Slowriders – Everything Changes ..maybe…

 

 

Publicado por: bulimundo | Maio 30, 2016

A era do quanto vales ..

 

 

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Nós estamos a assistir ao que eu chamaria a morte do cidadão e, no seu lugar, o que temos e, cada vez mais, é o cliente. Agora já ninguém nos pergunta o que é que pensamos, agora perguntam-nos qual a marca do carro, de fato, de gravata que temos, quanto ganhamos…

José Saramago

 

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Publicado por: bulimundo | Maio 23, 2016

Don’t You Wonder, Sometimes?

 

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After dark, stars glisten like ice, and the distance they span
Hides something elemental. Not God, exactly. More like
Some thin-hipped glittering Bowie-being—a Starman
Or cosmic ace hovering, swaying, aching to make us see.
And what would we do, you and I, if we could know for sure
That someone was there squinting through the dust,
Saying nothing is lost, that everything lives on waiting only
To be wanted back badly enough? Would you go then,
Even for a few nights, into that other life where you
And that first she loved, blind to the future once, and happy?
Would I put on my coat and return to the kitchen where my
Mother and father sit waiting, dinner keeping warm on the stove?
Bowie will never die. Nothing will come for him in his sleep
Or charging through his veins. And he’ll never grow old,
Just like the woman you lost, who will always be dark-haired
And flush-faced, running toward an electronic screen
That clocks the minutes, the miles left to go. Just like the life
In which I’m forever a child looking out my window at the night sky
Thinking one day I’ll touch the world with bare hands
Even if it burns.
Time never stops, but does it end? And how many lives
Before take-off, before we find ourselves
Beyond ourselves, all glam-glow, all twinkle and gold?…….
 
The future isn’t what it used to be. Even Bowie thirsts
For something good and cold. Jets blink across the sky
Like migratory souls……..

 

 

Publicado por: bulimundo | Maio 9, 2016

Mandar é Respirar…

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Mandar é respirar, não é desta opinião? E até os mais deserdados chegam a respirar. O último na escala social tem ainda o cônjuge ou o filho. Se é celibatário, um cão. O essencial, em resumo, é uma pessoa poder zangar-se sem que outrem tenha o direito de responder. «Ao pai não se responde», conhece a fórmula? Em certo sentido, ela é singular. A quem se responderia neste mundo senão a quem se ama? Por outro lado, ela é convincente. É preciso que alguém tenha a última palavra. Senão, a toda a razão pode opor-se outra: nunca mais se acabava. A força, pelo contrário, resolve tudo. Levou tempo, mas conseguimos compreendê-lo. Por exemplo, deve tê-lo notado, a nossa velha Europa filosofa, enfim, da melhor maneira. Já não dizemos, como nos tempos ingénuos: «Eu penso assim. Quais são as suas objecções?» Tornámo-nos lúcidos. Substituímos o diálogo pelo comunicado.

Albert Camus, in “A Queda”

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