Publicado por: bulimundo | Abril 26, 2012

Cá entre nós, a servidão, de preferência sorridente, é pois inevitável..e vamos sorrindo de forma amarela e indo….

 

Cá entre nós, a servidão, de preferência sorridente, é pois inevitável. Mas não o devemos reconhecer. Quem não pode fugir a ter escravos, não valerá mais que os chame homens livres? Por princípio, em primeiro lugar, e depois para os não desesperar. É-lhes bem devida esta compensação, não acha? Deste modo eles continuarão a sorrir e nós manter-nos-emos de consciência tranquila. Sem o que, seríamos forçados a voltar-nos para nós mesmos, ficaríamos loucos de dor, ou até modestos, tudo é de temer.

Albert Camus, in “A Queda”


Respostas

  1. DÍVIDA
    A dívida aumenta,
    A do país e a nossa.

    Cada manhã sabemos
    que se acumula a dívida.
    A grama que pisamos
    é dívida.
    A casa é uma hipoteca
    que a noite vai adiando.
    E os juros na hora certa.

    Ao fim do mês o emprego
    é dívida que aumenta
    com o sono. Os pesadelos.
    E nós sempre mais pobres
    vendemos por varejo ou menos.
    o Sol, a lua, os planetas,
    até os dias vincendos.

    A dívida aumenta
    por cálculo ou sem ele.
    O acaso engendra
    sua imagem no espelho
    que ao reflectir é dívida.

    A eternidade à venda
    por dívida.
    A roça da morte
    em hasta pública
    por dívida.
    A hierarquia sos anjos
    deixou o céu por dívida.
    No despejo final:
    Só ratos e formigas.

    Carlos Nejar, 1977 (Árvore do Mundo)


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